‘Bates Motel’ (2013 – atualmente)

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Você já deve ter ouvido falar no clássico ‘Psicose’ (1960) do diretor Alfred Hitchcock, o mestre do suspense. A história gira em torno da secretária Marion Crane (Vivien Leigh) que depois de dar um desfalque na empresa em que trabalha, vai parar no Bates Motel, um motel decadente de beira de estrada. O negócio é dirigido pelo simpático, porém estranho, Norman Bates (Anthony Perkins). O que acontece após o encontro dos dois você confere assistindo ao filme. Entretanto o post de hoje não é sobre o longa (que vai ser assunto para outro dia), mas sobre a série incrível gerada a partir dele.

‘Bates Motel’ teve sua estreia em 2013 e atualmente está na sua 4ª temporada, já renovada pela Universal Television até o ano que vem. Misturando suspense, mistério e drama, a série é um prólogo contemporâneo de ‘Psicose’, ou seja, descobrimos as origens e fatos anteriores ao filme, mas passados nos dias de hoje, com toda a tecnologia do século XXI. O episódio piloto mostra o adolescente Norman Bates e sua mãe Norma se mudando do Arizona depois da morte do pai dele. A mãe compra um velho motel de beira de estrada e o casarão vizinho na cidade de White Pine Bay, onde irão começar uma nova vida e lidar com a série de acontecimentos prestes a explodir em suas mãos.

(Esta resenha possui alguns spoilers do filme ‘Psicose’)

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Pessoalmente, sou muito fã de histórias de origem. E ‘Bates Motel’ chamou minha atenção exatamente por mostrar como Norman Bates vai se tornando aos poucos o assassino do filme ‘Psicose’, e seu desenvolvimento psicológico na série é fascinante. Norman possui Complexo de Édipo, o que significa que tem pela mãe uma afeição que ultrapassa uma relação entre mãe e filho. Ele sente por ela um amor quase sexual, mas sem se dar conta do que isso representa. Externamente, ele se torna bastante dependente e ligado à mãe. Além desse complexo, Norman sofre de Transtorno Psicótico ou Psicose, que o faz alucinar, delirar e perder a noção do seu “eu”. Futuramente, esses problemas reunidos farão ele se tornar agressivo e cometer os assassinatos que acontecem na série e posteriormente no filme.

Do outro lado dessa relação doentia está Norma Bates, a mãe super protetora e cheia de mistérios de Norman. Desde que ele teve seu primeiro surto vemos que ela está sempre pronta a fazer o que for necessário para proteger o filho, mostrando o quão é doce e atenciosa. Por outro lado, suas ações acabam fazendo com que Norman seja muito dependente, além de que ela tenta de todo modo encobrir a doença do filho, retardando um tratamento que não poderia ser dispensado. Juntos, os dois conduzem o clima de mistério e suspense da série, nos deixando aflitos para saber o que vai acontecer a cada cena.

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É preciso aplaudir as atuações de Freddie Highmore e Vera Farmiga nos papéis principais. Ambos estão impecáveis em cada um dos episódios e por mais duvidosas que sejam as ações deles, não é possível parar de torcer para que tudo dê certo, mesmo estando bem claro que eles nunca vão conseguir viver como uma família normal. Destaque para a semelhança na atuação e na caracterização do Freddie que se parece demais com o próprio Antony Perkins, 50 anos depois do filme. Aos poucos reconhecemos os traços do personagem no jovem Norman Bates como seu gosto por taxidermia, como observava as mulheres do motel por frestas nas paredes ou se vestindo como sua mãe quando sofria “apagões”.

Para completar a trama temos Max Thieriot como Dylan Massett, meio-irmão de Norman, que aparece logo no primeiro episódio para desestabilizar a segurança da mãe e ser o alívio são da família. Olivia Cooke interpreta Emma Decody, colega de escola de Norman. Emma é outro alívio do tom carregado da série e é, sem dúvida, minha personagem preferida. Ela é doce e cheia de vida mesmo tendo que lidar com seus pulmões mais ou menos. Para fechar os personagens fixos, temos o xerife de White Pine Bay, Alex Romero (Nestor Carbonell), sempre de pé atrás com Norma e seu filho, mas que já faz praticamente parte da família.

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A ambientação do Bates Motel é perfeita, extremamente parecido com o que for criado para o filme de Hitchcock. Também o casarão antigo onde vive a família Bates é idêntico e trás de volta o clima de mistério que foi visto no longa. A série já teve alguns diretores, mas o tom de suspense permanece em todas as temporadas, com dez episódios cada. Pode até ser pouco, mas o número reduzido de capítulos faz com que os roteiristas não percam a mão na hora de construir todas as camadas da trama. Quando pensamos que as coisas vão se tranquilizar, a bola de neve vai ficando cada vez maior.

O principal mérito de ‘Bates Motel’ é reinventar e atualizar um clássico que marcou gerações que pularam da cadeira ao descobrir o segredo da Sra Bates. Para os nascidos nos anos 90 (como eu), por exemplo, essa grande revelação não tem mais o mesmo peso. Já recebemos spoilers e vimos referências à exaustão por aí. Norman Bates pode não ter feito metade das coisas que vemos na série, mas a ideia de atualizar o clássico é muito válida: a essência de Norman está lá, e pode encantar a nova geração por ser vista por esse olhar renovado. Para os que já conhecem o filme, ‘Bates Motel’ é uma ótima revisita à uma grande obra do suspense. Para quem não conhece, é um convite e tanto.

Crystal Ribeiro

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