5 filmes (perfeitos) para uma matinê

Assistir filmes maravilhosos, para mim, já é a maior alegria do mundo. Mas acordar cedinho, preparar um café e alguma comida gostosa e sentar no sofá ainda de pijama para assistir um filme sentindo a luz do sol se infiltrar aos poucos pela janela é uma sensação que supera os limites da alegria. Apesar de matinê ser o nome das sessões de cinema que você assiste até as 17h45, esse é meu ideal de matinê: filme bem de manhãzinha. Para este post, vamos definir matinê desse jeito.

É certo que nem todo filme combina com uma matinê. Não é regra, mas geralmente eles são mais leves e ensolarados. Nem é todo mundo que gosta de assistir filmes pela manhã ou até acordar cedo para curtir esse pedacinho gostoso do tempo. Mas se algum dia você quiser dar uma chance para uma boa e autêntica matinê, se lembre desses títulos que eu vou indicar agora. Selecionei aqui cinco dos meus filmes preferidos para assistir nesse horário. Eles combinam perfeitamente com esse clima bom de “acabei de acordar, mas não acordei ainda totalmente”. Só filmes maravilhosos, eu garanto.

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  • ‘Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador’ (1993), de Lasse Hallström

‘Gilbert Grape’ é um clássico das matinês aqui em casa. E não é só porque tem o Johnny Depp E o Leonardo DiCaprio, mas porque a história é encantadora e muito tocante. No filme, Gilbert (Johnny Depp) é morador de Endora, uma cidadezinha meio esquecida do mapa. Uma vez por ano, ele e o irmão Arnie (Leonardo DiCaprio) vão para a beira da estrada ver os trailers que apenas passam pela cidade e nunca estacionam por ali. Desde a morte do pai quando era criança, Gilbert assumiu toda a responsabilidade da família para si e é pouco acostumado a ter momentos somente para ele. Seu irmão é deficiente mental e sua mãe se tornou super obesa por ter se trancado em casa depois da morte do marido.

É nesse momento que Gilbert conhece Becky (Juliette Lewis), uma forasteira que só parou em Endora porque o motor do trailer da sua avó havia quebrado. Ela vai tirar Gilbert da rotina e ajudá-lo a dar o primeiro passo em direção à uma vida em que ele mesmo seja o protagonista. A direção é do Lasse Hallström, que você já deve ter visto dirigindo muitos filmes melosos por aí (‘Sempre ao Seu Lado’; ‘Querido John’; ‘Um Porto Seguro’). Felizmente, ‘Gilbert Grape’ não é tão meloso desse jeito, por isso que é meu filme preferido do diretor. Essa também foi a primeira indicação do DiCaprio ao Oscar, por Melhor Ator Coadjuvante.

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  • ‘Pequena Miss Sunshine’ (2006), de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Sem dúvidas, ‘Pequena Miss Sunshine’ é o filme mais maravilhoso da lista. Se você ainda não assistiu então já é hora de tirar o atraso. A miss do título é Olive (Abgail Breslin), 8 anos, que depois da desistência de uma concorrente, é chamada para participar do Pequena Miss Sunshine, um concurso de beleza mirim. Como não podiam pagar por passagens aéreas, a solução da família foi levá-la de Kombi (essa amarela aí da foto) até a Califórnia para participar do concurso. O filme é todo centrado na convivência dessa família desajustada: uma mãe sobrecarregada (Toni Collete); um pai obcecado com seu programa de auto-ajuda, mas que não o ajuda de jeito nenhum (Greg Kinnear); um avô viciado em cocaína (Alan Arkin); um tio gay e depressivo que acaba de tentar cometer suicídio (Steve Carell); e um filho adolescente que fez voto de silêncio para convencer os pais a entrar na academia da Força Aérea (Paul Dano).

‘Pequena Miss Sunshine’ é extremamente divertido, bem escrito e dirigido. Os atores são excelentes e não nos deixam desgrudar os olhos da tela. A trilha sonora é um bônus: as músicas vem de álbuns maravilhosos da banda DeVotchka. Não dá para se arrepender.

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  • Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (2011), de Gustavo Taretto

Medianera é o nome dado às paredes que não possuem janelas dos edifícios. Essas paredes geralmente são laterais e ficam viradas para outros prédios justamente para que as janelas (se houvessem janelas) não se encontrassem. Muitas vezes as pessoas tentam abrir janelas nessas paredes para trazer mais luminosidade para o apartamento, mas na Argentina (onde o filme se passa) é proibido por lei fazer isso. Em ‘Medianeras’, Martín e Mariana moram no mesmo quarteirão. Ele é web designer e tem seu apartamento como refúgio onde se recupera da sua fobia. Mariana acabou de sair de um longo relacionamento e passa os dias isolada em seu apartamento. Pessoas muito parecidas e às voltas com seus problemas pessoais, que moram a poucos metros de distância e nunca se viram. Como proceder?

‘Medianeras’ é um romance argentino que coloca em xeque temas extremamente atuais como vida moderna, cidades grandes, relacionamentos pela internet, isolamento e vários outros. O roteiro é muito bem amarrado e nos leva junto com a história. É impossível não se apaixonar pelos personagens e até pela forma como a música ‘Ain’t No Mountain High Enough’ do Marvin Gayle se encaixou tão perfeitamente bem no filme. Super recomendo!

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  • ‘O Palhaço’ (2011), de Selton Mello

Tinha que ter um filme brasileiro na lista. Dos muitos que eu amo, selecionei ‘O Palhaço’ para ter a bola da vez. Para quem não sabe, Selton Mello dirige, escreve e atua no longa, que se passa nos anos 70 e conta a história do palhaço Benjamin (Selton Mello) que administra um circo mambembe com o pai (Paulo José). Juntos eles são Pangaré e Puro Sangue e junto com os outros artistas do circo vivem o dia a dia de ir de cidade em cidade, armando a lona, vendendo ingressos e puxando o saco do prefeito. Mas Benjamin não está satisfeito com essa vida cigana e o tempo todo se questiona sobre o que quer fazer de verdade.

A fotografia de ‘O Palhaço’ é uma delícia de se assistir e lembra os filmes do Spike Jonze (‘Onde Vivem os Monstros’; ‘Ela’). O roteiro é muito bem feito, Selton e Marcelo Vindicatto conseguem fazer as metáforas da vida do Benjamin se tornarem divertidas e próximas do público, fazendo do longa um exemplo de filme lúdico e muito encantador. ‘O Palhaço’ foi o filme brasileiro escolhido para concorrer ao Oscar 2012, mas infelizmente não ficou entre os 5 selecionados. Apesar disso, ainda é um dos melhores filmes nacionais dos últimos tempos.

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  • ‘A Lula e a Baleia’ (2005), de Noah Baumbach

Dirigido por Noah Baumbach e produzido por Wes Anderson, ‘A Lula e a Baleia’ é um filme que eu acho ao mesmo tempo igual e diferente de tudo o que eu já vi. Ele se passa em 1986, no Brooklyn. Bernard (Jeff Daniels) e Joan (Laura Linney) são casados, mas desistiram desse casamento há algum tempo. Ele já foi um romancista de grande sucesso no passado, mas recentemente Joan está começando a ofuscar o seu sucesso na área. Eles tem dois filhos, Walt (Jesse Eisenberg) e Frank (Owen Kline), que serão afetados de modos diferentes pela separação dos pais. Se para Walt a experiência vai servir mais como amadurecimento, para Frank será o primeiro passo para uma transição difícil pela qual ele vai ter que passar.

O trunfo de ‘A Lula e a Baleia’ é ser atemporal: histórias de separação, amadurecimento e aprendizado vão existir para sempre. O filme é divertido, real e muitas vezes duro, ele não poupa o espectador das situações que os personagens precisam enfrentar e faz isso com maestria. Uma curiosidade aleatória é que o filme serviu de inspiração para o nome da banda Noah and The Whale, que trocou o primeiro nome do título (squid = lula) pelo primeiro nome do diretor do filme.

Crystal Ribeiro

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