Resenhas: ‘A Parisiense’ x ‘Como Ser Uma Parisiense’

Ir à Paris sempre foi um sonho antigo meu. Acho que desde os meus seis anos que não existe outro lugar no mundo que eu queira visitar mais. Tudo naquela cidade me encanta: os cafés, os museus, os telhados, as ruas, as luzes… Enfim, tudo! Ano passado comprei dois livros que falam do estilo da mulher parisiense, que começou a se tornar bastante inspirador para mim. São eles ‘A Parisiense’ (2011) e ‘Como Ser Uma Parisiense’ (2014), ambos com temas que, à primeira vista, são semelhantes, mas que têm propostas diferentes e abordagens também. No post de hoje quero fazer um mix/ringue de resenhas para tirar dúvidas de quem já teve vontade de comprar algum, mas ainda não sabe qual a diferença entre eles ou qual vale a pena ter em casa. Vamos lá, mes amis!

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  • ‘A Parisiense: O guia de estilo de Ines de la Fressange’ (2011), de Ines de la Fressange e Sophie Gachet

Ines de la Fressange é ex-modelo, designer de moda e perfumista. Não é uma parisiense autêntica (nasceu em Gassin, sul da França), mas é conhecida por ser o símbolo da elegância e do “je ne sais quoi” da mulher francesa. Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel, sempre a achou fisicamente parecida com a estilista que dá nome à marca. Assim, Ines foi a primeira modelo a assinar um contrato de exclusividade com a maison e se transformou no ícone da moda que é hoje.

No best-seller ‘A Parisiense’, impresso num lindo shape moleskine, Ines e a jornalista Sophie Gachet trazem para o público, de maneira simples, elegante e ilustrativa um guia completo de como aderir ao estilo da mulher parisiense. E não apenas no quesito moda, mas também beleza, decoração, lugares para comer, dormir, levar as crianças e até fazer manicure. O texto é bastante quebrado, em tópicos, como em um guia tradicional, com linguagem ágil e dinâmica, muito fácil de se ler. Todas as páginas são ilustradas, ora por fotos das lojas mencionadas no texto, ora por desenhos feitos pela própria Ines, que são uma gracinha por sinal.

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“Ter um estilo ‘made in Paris’ é mais um estado de espírito”, ela avisa logo de cara, para provar ao leitor que sim, ele também pode! As dicas da ex-modelo são certeiras e livres de enrolação, principalmente na seção de moda, que vem logo no início do guia. De longe, essa é a parte que mais se destaca no livro, que se divide em peças “must have”, peças que a parisiense nunca usaria, combinações inusitadas, lugares onde comprá-las, entre outras coisas. Além das ilustrações, Nine d’Urso de la Fressange, filha de Ines, pode ser vista em fotografias lindas usando várias das peças clássicas que a autora cita no guia.

Se o livro tivesse ficado apenas nos ensinamentos de moda e beleza, possivelmente ele teria sido brilhante. Pena que essa parte dura muito pouco. Para explicar e ilustrar esse estilo parisiense de ser e agir, Ines passa grande parte do tempo (2/3 do livro na verdade) citando suas lojas preferidas. Isso acaba pesando lá pela metade da leitura e ‘A Parisiense’ fica se parecendo com um grande e lindo catálogo de lojas que, se você estiver indo a Paris e puder gastar (bem) mais, até consegue aproveitar as dicas, mas se não tiver essa intenção pode terminar se arrependendo da compra. Para mim valeram as indicações de museus, alguns restaurantes e cafés e uma ou outra loja, mas o resto foi todo meio decepcionante. O conhecimento, claro, é válido, mas infelizmente não foi relevante do jeito que eu esperava ou que eu gostaria que fosse.

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Eu, que pesava ser esse um livro quase todo sobre moda, me decepcionei um pouco. Não cheguei a me arrepender da compra, afinal as dicas de moda realmente valem a pena, as fotos são muito bonitas e dá para se inspirar em bastante coisa, principalmente na época em que eu estiver indo à Paris, mas não consegui amá-lo 100%. Se você não se importa com esses detalhes, quer ter as dicas sobre moda à mão e até gostaria de visitar as lojas do “catálogo” então vá em frente, pois ‘A Parisiense’ vai ser uma ótima compra.

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  • ‘Como Ser Uma Parisiense em Qualquer Lugar do Mundo’ (2014), de Sophie Mas, Audrey Diwan, Caroline de Maigret e Anne Berest

Quatro amigas (a musa da Chanel, Caroline; a escritora, Anne; a produtora de cinema, Sophie; a diretora e escritora, Audrey), uma cidade (Paris!) e um livro sobre amor, estilo e maus hábitos (como anuncia a capa internacional). ‘Como Ser Uma Parisiense’ começa com um questionamento até meio óbvio: quem é a mulher parisiense? A resposta vem do marido de uma delas que nem pensa duas vezes: ela é uma completa maluca! A partir daí o romance (para mim mais romance do que propriamente um guia) vai tecendo uma série incrível de pequenos textos, poéticos até, sobre a alma, os paradoxos e a complexidade dramática da parisiense. Tudo isso recheado de um humor irônico mais que delicioso e imagens lindas, bem produzidas e inspiradoras.

Esse livro apareceu em um post mais antigo do blog e também nos Favoritos de Maio. E não à toa. Como já tinha falado neles, ‘Como Ser…’ é um dos meus livros de cabeceira. Lê-lo foi uma experiência no mínimo diferente, quando o escolhi na livraria para ser “meu presente de aniversário para mim” eu não esperava ser pega desse jeito. Claro que dizer isso é bem pessoal, mas no fim das contas o livro acaba sendo bem pessoal, talvez não seja todo mundo venha a gostar dele ou a achar que foi uma compra válida. Isso porque os textos são bem leves, divertidos e até bobos, ideais para ler quando você quer se distrair e dar boas risadas.

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Só por isso ele já se vale. A ironia das autoras descrevendo a mente (pirada) das parisienses, contando seu dia a dia, seu jeito de pensar, se portar diante do trânsito ou da academia, conhecendo um estranho em uma festa e indo para casa com ele no fim da noite é simplesmente formidável. Com esse termo mesmo. Os textos me transmitiram uma sensação de leveza muito grande, aquela sensação de aconchego e da luz do sol queimando na pele de levinho que eu tanto gosto. É o tipo de livro em que você vai viver marcando as frases mais inspiradoras (no mínimo uma em cada texto) e viver arrastando com você através dos anos, onde quer que você esteja.

Tudo isso fora as muitas dicas preciosas de beleza e estilo que ele guarda, muito fáceis de serem copiadas, como na seção de moda do ‘A Parisiense’. A diferença é que, dos dois, este é o livro que mais tem a possibilidade de inspirar e trazer sensações boas. O texto é muito simples e dinâmico, ele não fica tão preso ao rótulo de “guia” como o primeiro e a leitura flui muito facilmente. Nem todos os textos são absolutamente maravilhosos, o livro tem muitas receitas (de comida mesmo) que quebram um pouco essa vibe. Algumas são bem fáceis de copiar, outras têm alguns ingredientes meio exóticos. As meninas podiam ter se limitado a apenas umas três receitas e já estaria de bom tamanho. Mas esse detalhe é facilmente contornado se você pular para a página seguinte.

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Resumindo, ‘A Parisiense’ e ‘Como Ser…’ são livros sobre francesas e escritos por francesas, mas com propostas bem diferentes: o primeiro é um guia mais tradicional e eficiente, mas que se perde em uma lista infinita de lojas; o segundo é composto por pequenos textos muito bem humorados e inspiradores sobre a alma e o comportamento da parisiense, mas que podem parecer bobos para quem não é fisgado. Vocês já devem ter percebido que o segundo mexe mais comigo. É um livro que eu ainda vou ler por mais muitos anos. Tanto um quanto outro são muito bons, só depende do tipo de leitura que você está procurando.

Crystal Ribeiro

4 comentários em “Resenhas: ‘A Parisiense’ x ‘Como Ser Uma Parisiense’

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