Crítica: Procurando Dory (2016)

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Imagem: Tommo (Divulgação)

Minha primeira recordação de ir ao cinema foi quando eu fui com meus pais e meu irmão assistir Procurando Nemo, lá em 2003. Foi um dia muito mágico: teve McDonalds, bolhas de sabão e um filminho maravilhoso. Até hoje, Procurando Nemo é conhecido como o “filme mais amado” lá de casa. Já perdi as contas de quantas vezes já parei a vida para assistir com a minha família. É difícil achar um filme que seja tão divertido e que tenha ao mesmo tempo uma carga emocional tão absurda e envolvente quanto esse. É o que a Pixar gosta de fazer com a gente, não tem jeito. Amor eterno por esse estúdio.

Eis que 13 anos depois aparece nos cinemas a continuação Procurando Dory, que promete levar ao público a história daquela peixinha simpática que o mundo aprendeu a amar. E porque não? Mesmo que a história com continuações da Pixar seja perigosa em alguns momentos vale uma conferida, já que o projeto é bem mais pessoal (ainda que financeiramente MUITO rentável) que Carros 2, por exemplo. A premissa é bem simples: Dory se reúne à Marlin e Nemo para sair em busca de suas origens e sua família. A ideia aqui é desvendar para o espectador pontas soltas como “onde ela aprendeu Baleiês?” e “como ela foi parar no coral do Marlin?”.

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Imagem: Pipoqueiros (Divulgação)

Já que uma comparação é inevitável, Procurando Dory não alcança o brilhantismo do seu antecessor. Ele não consegue levar às telas a personalidade e o carisma dos personagens icônicos que já são conhecidos pelo público como a tartaruga Crush e o tubarão branco Bruce, além dos protagonistas Marlin, Dory e Nemo, claro. Os personagens novos são eficientes e ajudam a construir o humor da trama, mas não transmitem aquela emoção e empatia que os primeiros conseguiram (com êxito!). Só isso já tira um pouco o brilho do filme, que se distancia em qualidade do que a Pixar está acostumada a entregar, principalmente por conta da estrutura narrativa.

A estrutura é muito parecida, senão idêntica, à do primeiro: o longa inteiro é fatiado em desafios que os personagens têm que sobrepor para chegar à um outro local, além de que Marlim, Dory e Nemo se dividem em certo momento, o que muito lembra os núcleos do filme anterior, o do mar aberto e o do aquário. Infelizmente, essa estrutura mostra cansaço e falta de originalidade por parte dos criadores, o que faz o filme se tornar previsível. Ele dá uma estagnada e perde o ritmo em alguns momentos, impedindo que o público se comova da maneira certa com as reações dos personagens. Dá até um pouco de tédio.

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Imagem: Pipoca de Ontem (Divulgação)

Apesar desse problema de ritmo, Procurando Dory consegue ser eficiente no que é mais esperado dele: divertir. O filme tem muitos bons momentos, com um humor mais físico e escancarado (visando as crianças de hoje) e não tão elegante quanto o de 2003, mas ainda assim divertidíssimo e muito leve. Mas talvez o maior trunfo do longa seja tratar de um assunto tão delicado quanto a deficiência de modo sutil e muito tocante. Antes, o fato da Dory esquecer das coisas era um artifício cômico, agora ele vira o centro dramático da história, que aparece no filme em flashbacks ocasionais e faz o público enxergar a personagem com outros olhos.

Não é preciso nem mencionar as qualidades técnicas, afinal a Pixar não entrega nada menos que a perfeição nesse quesito. As cores e as formas são maravilhosas e nos fazem pensar que ninguém poderia realizar um filme com o fundo do mar como cenário melhor do que ela. Para mim, o filme ganhou na nostalgia. Fazia muito tempo que eu não revisitava esse universo, então a saudade dos personagens era enorme e foi muito legal saber o que tinha acontecido com eles depois dos eventos de 2003. Também fiquei muito feliz por eles terem mantido os dubladores originais, só aumentou essa sensação. Não quero dar spoilers, mas senti falta de um personagem em particular. Só faltou ele. E fique na sala até o final dos créditos, é sensacional!

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Imagem: Adoro Cinema (Divulgação)

Procurando Dory é um filme bastante nostálgico e que o tempo todo faz alusão ao seu antecessor, principalmente para quem cresceu com a animação de 2003. Falta a originalidade e o empenho que foram vistos em continuações como as de Toy Story e no prequel (sequência anterior à algum trabalho) Universidade Monstros, mas o longa diverte e emociona tanto o novo quanto o velho público. Vale o ingresso.

Crystal Ribeiro


Procurando Dory (Finding Dory)
Ano: 2016
Direção: Andrew Stanton, Angus McLane
Roteiro: Victoria Strouse, Andrew Stanton
Elenco: Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Hayden Rolence, Ed O’Neil, Diane Keaton, Eugene Levy
Nota: 4 estrelinhas

 

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