Sobre desapego e minimalismo

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Eu acredito que estou passando por um momento bem específico da minha vida, notei que sutilmente estou mudando alguns dos conceitos que regiam meu comportamento e encorporando outros que hoje tem muito mais a ver comigo. Você já deve ter imaginado pelo título do post. Quando falo em desapego e minimalismo não falo simplesmente de se desfazer de coisas materiais, mas principalmente de mudar conceitos que muitas vezes estão enraizados dentro de nós de uma forma tão intensa que parecem ser a única e natural alternativa. Mas não são.

Acompanho o trabalho da Juliana Góes há algum tempo e neste ano ela tomou uma decisão bastante radical em relação ao modo como ela vive. Ela chegou à conclusão de que não é necessário viver com toda aquela quantidade de coisas que ela tem no seu apartamento, desde roupas e acessórios até móveis e objetos de decoração. Foi aí que ela decidiu que iria doar/vender 70% de tudo o que tinha e viver em um apartamento menor com o marido, que compartilhava o mesmo pensamento e aceitou na hora. Ela é adepta desse conceito chamado minimalismo, que diz que é preciso identificar o necessário e eliminar o que não é.

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No começo eu fiquei tentando entender o que leva uma pessoa a fazer esse tipo de coisa e como o mundo reage a pessoas que vivem com essa filosofia. Enquanto pensava no assunto eu notei que talvez se desapegar das coisas não era o mais complicado, mas sim o fato de lidar com a sociedade lhe dizendo, sutilmente, que você precisa de tais e tais itens para “estar no grupo”. Por mais desencanado que você seja a tentação é muito grande. Blogs de moda e beleza, por exemplo, estão aí para isso. Claro que são espaços de interação e opinião muito interessantes hoje em dia, mas sem querer eles podem ter um efeito negativo, despertando um desejo consumista exagerado. E a sociedade, num geral, não reage bem à formas alternativas de ver o mundo, ela sempre pressiona para que você se atenha ao “socialmente aceito”.

A decisão da Ju foi bastante decisiva para que eu refletisse sobre meu modo de viver e de ver as coisas ao meu redor. Desde agosto, quando tirei todos os meus objetos do quarto e fiz uma faxina bem pesada, percebi que tinha muitas coisas guardadas que eu não usava. Encontrei objetos que eu não via desde quando me mudei há um ano e me fiz algumas perguntas básicas: eu realmente preciso dessas coisas? Se não precisei delas esse tempo todo, será que algum dia ainda irei precisar? Provavelmente não. Aos pouquinhos, lendo sobre o assunto e vendo exemplos de outras pessoas, pude perceber o quanto eu me identificava com a filosofia e como ela poderia me fazer bem. Aquele dia da faxina foi essencial para que eu tomasse uma decisão e senti que o minimalismo poderia ser o caminho para ter o dia a dia leve que eu tanto desejo.

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Um dos conceitos mais legais do minimalismo para mim é o de ter coisas e produtos que podem ser usados de várias formas e assumir outras funções. O interessante é que o Low Poo, uma técnica que incorporei para cuidar do meu cabelo, foi o que primeiro me levou para esse lado. No dia a dia da técnica, descobri alguns produtos que eu uso não apenas para as funções que eles foram designados, mas também para outras finalidades. O shampoo Johnson’s é um exemplo legal. Além de lavar meu cabelo, ele também é um ótimo removedor de maquiagem. Como não sou de usar muita maquiagem no dia a dia, achei que seria muito melhor investir nele ao invés de gastar dinheiro com demaquilantes. A regra não vale só para produtos, mas também para roupas que você pode usar de outras formas e combinadas com mais peças, e até objetos antigos que você pode mudar de cara e reutilizar na decoração de algum outro jeito.

Uma coisa que fez muita diferença para mim foi a sensação de ter um guarda-roupa limpo e com peças que não estão paradas há muito tempo. Mês passado fiz uma grande doação de roupas e sapatos que eu quase não usava. Não foi uma limpeza definitiva, ainda tenho que me desapegar de algumas peças de valor sentimental, mas me lembro perfeitamente da sensação de abrir meu guarda-roupa e ver apenas roupas que eu amava. Eu me senti como se tivesse o closet dos sonhos com as melhores peças do mundo. O minimalismo tem algumas regras em relação à roupas: as peças devem combinar entre si, deve-se ter mais peças básicas do que únicas e etc, mas só o fato de me livrar do peso de coisas paradas já me deixou muito satisfeita. Hoje é muito mais fácil para mim não entrar na velha crise “eu não tenho nada para vestir”. Uma coisa que ajuda é pensar que você não está ficando com poucas roupas, mas sim abrindo espaço para que coisas novas entrem.

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É claro que para aderir a filosofia não é preciso segui-la a risca. Como todos as filosofias, religiões e pensamentos que circulam pelo mundo, o ideal é conhecer e tomar para si aquilo mais lhe deixa confortável e feliz. Não é preciso, do nada, jogar todas as suas coisas fora e não comprar nunca mais. O objetivo é pensar melhor sobre os objetos que você tem, de que modo eles podem ser usados e reciclados, e não comprar nada apenas porque na loja pareceu ser uma boa ideia. O minimalismo fala de consumo consciente, de respeitar seus gostos pessoais, de comprar aquilo que é a sua cara, de não se deixar levar por tendências, de amar aquilo que você tem, mas principalmente de não se apegar ao material e dar valor ao que realmente importa. Para mim, isso faz todo o sentido. E para você?

Crystal Ribeiro

8 comentários em “Sobre desapego e minimalismo

  1. Sim, penso o mesmo.

    Comecei recentemente a focar em tirar da minha vida tudo que não acrescentava. Exclui mais de 200 pessoas do Facebook. Algumas pessoas eu nem fazia ideia de quem eram, outras conhecia, mas nunca tinha trocado um like ou falado um oi. Achei estranho como minha página tinha se tornado tão superficial. Era só números. E desejei mudar isso, pois senti vergonha de viver em um mundo assim, apaguei muitas fotos e bloqueei diversos álbuns.

    Por acaso iniciei interesse pelo minimalismo quando li em um blog a frase “menos é mais” e um pouco do resumo do que era este estilo de vida. Me interessei pelo assunto e cada vez que lia algo, me apaixonava ainda mais.
    Decidi que é algo que quero para mim, que quero viver. Então comecei pelo guarda-roupa. Doei muitas coisas, mas mesmo assim ainda tenho tantas roupas que mal consigo olhar de tanta frustração que isso me causa. Fiquei uma semana distribuindo roupas e sapatos, dei para minha irmã, prima, anunciei no Facebook e entrei nestes brechós para tentar vender algumas peças na etiqueta, foi quando aderi o armário- cápsula- decidi que no meu teria 5o peças para começar, deixando somente o que gostava, mas infelizmente ultrapassou mais de 60 peças, sem contar com acessórios.
    Estou na luta para conseguir, não que queira fazer um voto de pobreza, mas acho que esses excessos não me fazem bem.
    E enxergo o minimalismo como encontro do equilíbrio e acima de tudo liberdade.

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    1. Oi Alexandra! Concordo totalmente com o que você disso, excessos não fazem bem. Também fiz essa mesma seção de limpeza nas redes sociais, nos armazenadores de arquivos da internet e cada vez mais com roupas, livros e dvds, meus maiores acúmulos. Acredito de verdade que uma mente limpa vem, também, de um ambiente limpo e organizado com coisas que nos faça feliz. Estou num momento muito complicado, em que me sinto muito pressionada. De certa forma, organizar e me ver livre de excessos faz bem para minha mente e me ajuda a manter a tranquilidade em meio a todo esse caos. Bjinhos!

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  2. Ótima reflexão! Estou nesse caminho e tentando melhorar todos os dias. Eu tinha (e tenho) tendencia a acumular coisas sem uso. Não é fácil, mas já estou muito muito muito melhor… Ufa!
    Gratidão pela reflexão!

    Hoje fiz um Post novo, uma reflexão sobre renovação.. se quiser passar lá e ler, fique à vontade. 😉

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    1. Obrigada você pelo comentário! Eu também era do tipo que guardava coisas que não usava ou porque tinha um valor sentimental ou porque achava que um dia ainda ia precisar. Hoje eu percebo o quanto as pessoas num geral se apegam a coisas, roupas, objetos, como ter coisas se tornou o nosso principal objetivo de vida. Não é tão melhor se apegar a sentimentos, pessoas, momentos que nos fazem felizes? O caminho é longo, mas me sinto bem mais leve hoje. Que bom que consegui te fazer se sentir assim também. Volte sempre que quiser!

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      1. Sim, realmente muito melhor 🌻
        Vamos seguindo e aprendendo nesse caminho mais leve. 🙂 Volto sim! Vamos nos falando…

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  3. Tenho essa tendência de só querer um guarda roupas que possa usá-lo. Gosto de blusas porque é mais fácil modificar meu estilo. Não sou exagerada no que compro, muito menos consumista. É importante para mim ter realmente o que necessito no dia a dia e algo um pouco mais para um eventual acontecimento. Gosto do simples porque esse muitas vezes nos toca no prazer de possuir. Sempre me lembro das palavras do meu avô- José Callado- quando garota. Ele sempre dizia quando via uma pessoa consumista:”Pra que um corpo só com tantas roupas”? Dai a essa herança de comprar o necessário e não extrapolar para satisfazer o consumismo. Gosto de livros. Para eles não me pergunto se posso. Sou assim: Sou a avó de Crystal Ribeiro. Eu sou Izabel Ribeiro.

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