Brechós do Recife: Onde encontrá-los (Parte 2)

Na segunda parte do Especial Brechós do Recife aqui do Flamingos, um guia (minha parte preferida) dos brechós que eu encontrei na cidade. Tentei apontar o máximo de brechós possível. Visitei todos e posso garantir que existe muita coisa boa em cada um deles, inclusive fiz algumas aquisições bem boas. Tem brechós para todos os gostos, desde os mais populares até os mais refinados. Espero gostem!

(Para ler a primeira parte clique aqui)

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Mapa de brechós em Recife

CENTRO DO RECIFE

Foi no centro da cidade que começou a tradição dos brechós em Recife. O Bazar Paralelos, na Boa Vista, foi inaugurado em 1985 por Claudineide Cavalcante depois de uma viagem à Brasília. “Eu viajei com meu marido a trabalho e eu não levei roupas para representar junto com ele, em reuniões. Me informei com algumas pessoas do prédio onde nós estávamos onde eu poderia encontrar uma loja de aluguel. Elas disseram que conheciam um brechó e que poderiam me levar lá. Só tinha roupa de artista (no brechó). Depois disso eu falei que ia voltar para o Nordeste e abrir um brechó”, conta.

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Bazar Paralelos

Desde então, o Paralelos é conhecido como o maior e mais tradicional brechó da cidade. É possível encontrar peças de todos os tipos, femininas, masculinas e infantis, além de calçados, acessórios, roupas de festa e até de marcas como Lacoste e Puma. A organização pode parecer confusa à primeira vista, mas é só analisar as araras com mais atenção e encontrar roupas superatuais e outras que parecem ter vindo do guarda-roupa da vovó. Se o caso for figurino para uma peça de teatro, lá também tem. “O pessoal procura muito por roupas para peças de época. Saem com várias sacolas, pegando uma peça aqui e outra ali eles montam o figurino de todo mundo”.

Não se engane pela casa de aparência antiga da Rua da Soledade, bem no meio da Avenida Conde da Boa Vista. É ali que Suely Ramos montou o seu Brechó Soledade, há pouco mais de dez anos. Quem deu a ideia foi sua sobrinha, que já era frequentadora. Assim como o Paralelos, o Soledade é um brechó popular, ou seja, os preços são bastante em conta. “Aqui você encontra peças entre cinco e 50 reais”. O ambiente remete a um brechó vintage sem se esforçar muito. A parede de jeans e a enorme arara central guardam muitos achados, mas é preciso de empenho na busca.

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Brechó Soledade

Para Suely, o preconceito contra brechó está diminuindo, mas ela ainda acha graça da reação de muitas pessoas que passam pela sua loja. “Algumas dizem zombando ‘olha, vou te dar esse vestido de presente de aniversário’. Eu nem ligo, acho até graça. Outras dizem ‘olha, eu estou olhando, mas é para um amigo’. Até perguntam se a roupa é de gente morta”, fala rindo.

Júlia Duca é uma senhora de 62 anos moradora de uma casinha amarela perto do Cemitério de Santo Amaro. Há dez anos, junto com seu marido, estendeu um varal no quintal de casa, colocou algumas roupas suas que queria se desfazer junto com outras de familiares e vizinhos e montou seu próprio brechó, uma das rendas da família até hoje. Hoje o varal só tem lençóis mesmo, em compensação a sala se abarrota de roupas de modo que fica difícil andar por ela. “Eu sei que está um pouco desorganizado, mas estou planejando quebrar uma parede e aumentar o espaço para organizar as roupas melhor”, diz ela.

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Bazar e Brechó da Dona Júlia

O Bazar e Brechó da Dona Júlia é a imagem de um brechó tradicional: um grande amontoado de roupas. Mas não se assuste com a aparência do lugar, é possível encontrar lindas peças de alfaiataria, roupas com estilo vintage e peças para compor looks muito estilos.

  • Bazar Paralelos (Rua da Saudade, 141, Boa Vista) – Fone: 98704-5232; Seg-Sex 9h às 18h; Sab 9h às 14h
  • Brechó Soledade (Rua da Soledade, 389, Boa Vista)
  • Bazar e Brechó (Rua Francisco Jacinto, 29, Santo Amaro)

ZONA SUL

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Brechó Dona Quitinha

Se no Centro encontramos brechós mais populares, na Zona Sul a elegância e personalidade das lojas surpreende. O Brechó Dona Quitinha está incorporado à casa de sua proprietária, a psicóloga e agora empresária Wambesy Brito. Depois de morar na Europa e ver como o negócio era rentável, ela resolveu voltar ao Brasil para ter o seu próprio brechó. “Os dois primeiros anos da loja foram para mostrar para as pessoas o que era um brechó. Rio, São Paulo e Belo Horizonte já tem essa cultura do brechó muito antes da gente aqui em Recife. No começo foi meio difícil as pessoas encararem. Hoje eu já tenho uma clientela sólida, vejo que elas estão mais familiarizadas com a ideia do brechó”.

A especialidade da casa são as roupas de marcas e grifes famosas com preços até 70% menores que os originais. É possível encontrar desde Shoulder e Zara até Maria Bonita e Carmem Steffens. As araras e prateleiras são todas muito organizadas, sem falar que o ambiente pela manhã é agradável como estar em casa. O diferencial do Dona Quitinha está na oficina de costura. É possível deixar peças para conserto, fazer ajustes em roupas compradas no brechó, confecção de peças sob medida e alguns outros trabalhos. “Tem a ver com essa questão da sustentabilidade de você dar uma cara nova, reformar alguma coisa que você tem ao invés de comprar alguma coisa que você não precisa”.

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Brechó da Mika

Saindo de Setúbal e indo para a Avenida Conselheiro Aguiar, logo ali do lado do Bom Preço de Boa Viagem você encontra o Brechó da Mika, o mais moderninho da região. Ainda com dois anos de existência, o brechó é um exemplo de como trazer para um negócio tradicional um ar jovem e divertido e assim, atrair a clientela. Micaelle Martins, a feliz proprietária, foi quem decorou todo o ambiente com listras, poás e acessórios que poderiam ser vistos em qualquer loja de shopping. Seu desejo de abrir o negócio veio de reflexões a respeito do seu próprio guarda-roupa. “Eu sempre fui muito consumista, gosto muito de moda, marcas, cortes, o que fica bem em cada corpo. Então minha irmã abriu um brechó e eu sempre garimpava peças legais. Foi assim que eu descobri que existe vida pós-shopping, o seu dinheiro vale muito mais quando você garimpa alguma coisa bacana”.

Ao contrário dos estilo “guarda-roupa de vovó” que se encontra em muitos brechós, o conceito aqui é diferente. “O Brechó da Mika é um brechó de tendência, eu vendo peças da moda com preço mais em conta. Não costumo pegar nada muito retrô. Por mais que seja um brechó as pessoas procuram por peças atuais. Eu atendo esse tipo de público que quer andar na moda, mas por um preço mais em conta”. Aqui se encontra jeans, blusas, vestidos de festa, sapatos, bolsas e até roupas masculinas, que têm um cantinho especial só para elas.

  • Dona Quitinha (Rua Antônio Vicente, 544, Boa Viagem) – Fone: 3328-3149; 98600-7590; Ter-Sex 9h às 18h; Sáb 9h às 13h
  • Brechó da Mika (Avenida Conselheiro Aguiar, 4880, Galeria Praia Sul Shopping, Loja 24, Boa Viagem) – Fone: 98601-1221; 99714-4560; Seg-Sex 9h às 18h; Sáb 10h às 17h
  • RêVê Brechó (Avenida Conselheiro Aguiar, 3500, Boa Viagem) – Fone: 3088-4376; Seg-Sex 13h às 18h *O RêVê Brechó não se encontra mais em funcionamento

ZONA NORTE

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Cabine Brechó

Finalizando o passeio pela Zona Norte, é aqui onde fica localizado o mais famoso brechó de Recife. O Cabine Brechó, antigo Camarim Brechó, está sempre aparecendo em jornais e sites como referência de um negócio alternativo, mas com a força e personalidade de uma loja tradicional. É só passar pela porta que tudo começa a fazer sentido. Repleto de todos os tipos e estilos de roupa, o Cabine foi aberto em 2004 por Elizabeth de Oliveira, já frequentadora de brechós na época. “Eu queria a minha independência financeira e o investimento era muito pequeno: como as peças eram minhas, era só alugar o espaço mesmo”.

A organização é um ponto chave do brechó, principalmente por conta do zelo da proprietária. Para Elizabeth, pela cultura do estado, essa organização é quase uma exigência. “Eu acho que para o Nordeste é fundamental essa organização do brechó, porque nós não temos cultura de brechó, as pessoas têm preguiça de garimpar. Então quando elas veem tudo desorganizado, tudo misturado, elas desistem. Até aqui (no Cabine), que tem tudo separado e no lugar, o pessoal tem preguiça. A organização em si já atrai o cliente”. Procurando uma roupa para sair à noite? Aqui você encontra. Roupa para ser madrinha de casamento da amiga? Você encontra também. Vai viajar para o exterior onde está fazendo o maior frio? Aqui você acha uma seleção de lãs, trench coats, gorros e cachecóis para a viagem.

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Cabine Brechó

Atualmente, a maior parte das roupas que Elizabeth compra vem de brechós, sua paixão declarada. Para ela, frequentar brechós é um estilo de vida, é preciso tempo para adquirir o hábito e mente aberta para aceitar o novo. “Se a pessoa tem a cabeça muito fechada, vem para a loja com o estigma de que tudo é velho e feio, pode ter certeza que ela vai embora sem nada. O frequentador de brechó é muito seguro de que não precisa vestir a última moda para se sentir bem. Ele tem estilo, sabe o que quer, ele não vem com fome, nem com pressa, ele curte aquele momento de garimpar. Esse sim vai para casa satisfeito”.

  • Cabine Brechó (Rua Senador Alberto Paiva, 248, Graças) – Fone: 3241-0248; Seg-Sex 9h às 18h; Sáb 10h às 13h
  • Brechó Chic (Avenida Conselheiro Rosa e Silva, 1398, Aflitos) – Fone: 8580-9418; Seg-Sex 13h às 18h30

Continua no próximo post…

Crystal Ribeiro

9 comentários em “Brechós do Recife: Onde encontrá-los (Parte 2)

  1. Cara, procurei tanto algo desse tipo! E tu fez tão completo com os teus comentários e os endereços, as histórias.. demais pô, parabéns! E o vídeo no final foi uma cereja do bolo! Kkkkk parabéns viu! Obrigada, já sei por onde começar!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Fico tão tão feliz que você gostou do post, Cássia! Pretendo fazer outros posts sobre brechós, então qualquer coisa que você queira ver aqui sobre o tema pode deixar nos comentários!

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    1. Que bom que ajudei Karine! Imaginei que essa seria uma boa pauta já que eu também procurava por algo assim online e não encontrava. Boas compras e volte sempre!

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  2. Muito bom esse post faz tempo que eu estava procurando brechós por aqui pra fazer uma visita, agora são várias opções, obrigado!

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    1. Obrigada Dani! Fico muito feliz em saber que você gostou. Eu fiz a matéria exatamente por isso, porque tinha vontade de começar a visitar brechós por aqui, mas não sabia por onde começar ou pra onde ir. Bjinhos e volte sempre!

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