As mulheres do Oscar 2017

Um dos momentos que eu mais gosto na cerimônia do Oscar é aquela no comecinho quando eles exibem um vídeo que faz um mix de todos os filmes indicados no ano. Eu simplesmente adoro ver o quão diversas são as histórias contadas naquele ano, como as pessoas no mundo puderam se emocionar com histórias para todos os gostos. Claro que a seleção dos filmes ainda não é ideal, enfatizando longas realizados por homens e deixando de lado as produções de filmes por minorias como mulheres e negros, por exemplo.

Mas não é exatamente esse o foco do post. Para começar os trabalhos do Flamingos para o Oscar 2017 eu gostaria de falar um pouco sobre as histórias das mulheres que estão presentes nos filmes indicados. Apesar dos longas centrados em mulheres serem muito escassos esse ano (que é o que sempre acontece), existem muitas mulheres inspiradoras entre os filmes selecionados para a premiação.

Uma das atuações mais comentadas do ano foi a de Isabelle Huppert no francês Elle (que eu já falei nesse post aqui). Ela interpreta uma mulher enigmática e de personalidade forte que é agredida, física e sexualmente, dentro da própria casa. Diferente do que poderia acontecer em um filme como esse, a personagem nunca é vitimizada. Pelo contrário, suas atitudes depois do acontecimento são bastante fora da caixa e dividem opinião.

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Viola Davis em Fences

Ainda falando de atuações fortes, no longa Fences (Um Limite Entre Nós), dirigido e protagonizado por Denzel Washington, quem brilha, na verdade, é a indicada à Atriz Coadjuvante, Viola Davis. Casada com um homem que trabalha como coletor em um caminhão de lixo e vivendo com dinheiro suficiente para sobreviver, Viola interpreta Rose, uma mulher que abriu mão de muitas coisas em prol de sua família e que vai ter que suportar dores ainda maiores dentro de sua própria casa. Rose, como diz o próprio título, presa à situação em que a vida a colocou, casada com um homem que não a respeita e que só enxerga o próprio sofrimento. É uma personagem que diz muito a muitas mulheres e traz toda a força que ela precisava.

Enquanto em Moonlight, Naomi Harris interpreta uma mãe que tem dificuldades em dar atenção ao filho por conta da sua dependência de drogas, Nicole Kidman em Lion adota o menino Saroo depois de muito desejar ser mãe. Em uma das cenas mais marcantes do filme, Sue (Nicole) diz a seu filho já crescido que, ao contrário do que ele achava, não o adotou por não conseguir ter filhos, mas porque achava que a adoção seria uma atitude mais nobre. É uma cena de partir o coração, assim como aquela em que, pela primeira vez no filme, Paula (Naomi Harris) parece animada em ver seu filho Chiron. Logo depois descobrimos que essa felicidade toda era para convence-lo a lhe dar dinheiro para comprar mais drogas. São duas cenas muito fortes e que definem a relação das personagens com a maternidade, que é tratada nos dois filmes de modos bem diferentes.

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Amy Adams em A Chegada

Filme de alienígenas também temos no Oscar 2017. E ao contrário do que acontece na maioria dos exemplares do gênero, A Chegada tem uma incrível protagonista feminina interpretada por ninguém mais ninguém menos que a Amy Adams. No longa ela é a Dr. Louise Banks, uma linguista renomada a quem coube a tarefa de se comunicar com seres estranhos que acabaram de chegar à Terra. A doutora é praticamente a única mulher em cena durante todo o filme. Louise é inteligente e esperta e com sua ousadia consegue abrir espaço para suas ideias naquele cenário repleto de militares e cientistas homens. Espero que seja um grande incentivo para mais filmes assim.

Entre as heroínas sonhadoras que estão concorrendo a prêmios esse ano não dá para não lembrar da Mia (Emma Stone) de La La Land. Ela é uma atriz iniciante que está em busca do seu primeiro papel em Hollywood, e se esforça muito tentar não desistir mesmo que já tenha levado inúmeras portas na cara. Já Moana, a mais nova princesa da Disney, vai na mesma linha sonhadora e ousada de Mia. O plot é o de sempre: uma jovem está cansada de estar presa a amarras e quer ir além do que reservaram para ela. Seguindo esse enredo, Moana traz a apaixonante história da princesa que quer mostrar ao pai que o mar não é tão perigoso assim e que ele pode trazer uma nova perspectiva para o lugar em que vive.

Outra protagonista forte é Jackie, interpretada por incrível Natalie Portman, no filme homônimo. O longa conta o que se passou com Jackie Kennedy nos dias após o assassinato de seu marido, o presidente John F. Kennedy. Às voltas com a dor pela morte do marido, Jackie precisa lutar para manter uma imagem diplomática diante de todo o mundo. A pessoalidade de Jackie de certa forma lembra a simplicidade e delicadeza de Loving, que tem outra protagonista muito marcante. Ruth Negga interpreta Mildred Loving, uma mulher negra que se casou com um homem branco em uma época em que nem todo lugar dos EUA permitia isso. Depois de ser presa e obrigada a morar com o marido longe de sua família, Mildred tenta de todos os modos arranjar forças para lutar pela sua felicidade.

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As meninas de Hidden Figures

Ainda falando de representatividade negra, é Hidden Figures (Estrelas Além do Tempo) quem assume o posto de longa mais militante da premiação esse ano. O filme conta a história real de como três mulheres negras conseguiram se destacar no ambiente machista e cheio de preconceito da NASA nos anos 1960. Elas são incrivelmente inteligentes, entendem tudo de matemática e física, mas mesmo assim são subjugadas e depreciadas pela cor da pele. É duro saber que os absurdos mostrados no filme são reais. Não só elas, mas todos os negros daquela época passaram por, pelo menos, alguma dessas situações. É fato que o longa é bem romanceado e cheio de momentos que tiram um pouco da seriedade que ele merecia, mas é essa leveza que o torna mais acessível para que qualquer pessoa consiga assistir e se inspirar na maravilhosa história dessas mulheres incríveis.

Crystal Ribeiro

3 comentários em “As mulheres do Oscar 2017

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