Oscar 2017: Ator e Atriz Coadjuvante

Continuando o especial Oscar 2017, hoje é dia de falar sobre o desempenho dos Atores Coadjuvantes que, assim como os Atores Principais, parece que já tem seus favoritos já consagrados dentro do cenário de apostas.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

A concorrência por vagas nessa categoria não é grande, a maioria dos filmes não teve um destaque significativo de Atores Coadjuvantes para figurar na lista, que é justa, mas termina destacando uma certa disparidade no favoritismo e na qualidade do desempenho no geral.

Vamos à lista:

  • LUCAS HEDGES, POR MANCHESTER BY THE SEA
  • DEV PATEL, POR LION
  • JEFF BRIDGES, POR HELL OR HIGH WATER (A QUALQUER CUSTO)
  • MICHAEL SHANNON, POR ANIMAIS NOTURNOS
  • MAHERSHALA ALI, POR MOONLIGHT

Dentro do quadro de atuações, aquele ator que parece meio intruso na lista é o Dev Patel. Lion é um filme muito tocante, mas quem realmente brilha nele é o Sunny Pawar que faz o protagonista Saroo aos 5 anos (que na segunda parte é interpretado pelo indicado na categoria). O menininho é uma verdadeira estrela, lembra muito o desempenho do Jacob Trembley ano passado em O Quarto de Jack. Dev Patel, que na verdade é o protagonista e não o Ator Coadjuvante da história, fica completamente em segundo plano depois do público ter se emocionado com o Sunny. É uma boa atuação, correta, mas não o suficiente para que ele consiga entrar como concorrente.

Figurando ainda entre os menos favoritos estão Lucas Hedges e Michael Shannon, ambos uma surpresa para mim quando saíram os indicados, já que eles não apareciam em muitas listas antes disso. Na minha opinião, Animais Noturnos foi bem injustiçado na premiação, mas ter o Michael Shannon na lista foi muito bom. Seu personagem é uma mistura de brutalidade, indiferença, um tanto de doçura e até dualidade, pois a qualquer momento eu achava que ele ia abandonar o Jake Gyllenhal na missão. Aliás, Jake também foi outro esnobado na categoria, poderia facilmente ter entrado no lugar do Dev.

animais-noturnos
Michael Shannon em Animais Noturnos

O desempenho do Michael é muito bom, seu personagem tem um lado visceral e ao mesmo tempo piedoso que funciona muito com o seu perfil como ator e vale a indicação.

Lucas Hedge, ao lado de Casey Affleck, compõe o arco dramático principal de Manchester by The Sea. Ele interpreta o sobrinho que fica sob os cuidados do protagonista depois da morte do pai. Os dois precisam aprender a lidar um com o outro enquanto tentam levar a vida adiante. Confesso que não vi brilho suficiente na atuação do Lucas que sustentasse uma indicação, o personagem dele também não é um dos mais amáveis. A atuação dele é boa e só.

Já o Jeff Bridges, que é um veterano na premiação, interpreta mais uma vez um personagem que ele sabe fazer muito bem: um cowboy durão, um tanto preconceituoso e violento. Esse xerife até chega a ser um personagem base dentro de um western, mas a interpretação do ator consegue trazer todo um carisma que poderia faltar em outra pessoa.

moonlight
Marheshala Ali em Moonlight

No entanto, é Mahershala Ali quem merece todos os holofotes esse ano. Como parece que já ficou definido devido à quantidade de prêmios que ele conseguiu levar na categoria (com exceção do Globo de Ouro), não existe muita dúvida de que é ele quem vai ganhar o Oscar da categoria. Mesmo estando presente em apenas uma das três partes de Moonlight, seu personagem tem uma presença tão forte para o público e tão importante na vida do protagonista que consegue partir corações por onde passa.

Sem dúvida foi a minha atuação preferida das cinco e provável vencedora, alternando com a de Jeff Bridges.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

A situação dessa categoria é mais ou menos parecida com a de cima: existe uma favorita absoluta, mas nenhuma surpresa nas indicações, todas já vem sendo prestigiadas desde o começo da temporada de prêmios.

Vamos a elas:

  • VIOLA DAVIS, POR FENCES (UM LIMITE ENTRE NÓS)
  • MICHELE WILLIAMS, POR MANCHESTER BY THE SEA
  • NAOMI HARRIS, POR MOONLIGHT
  • NICOLE KIDMAN, POR LION
  • OCTAVIA SPENCER, POR HIDDEN FIGURES (ESTRELAS ALÉM DO TEMPO)

Quem corre por fora na lista são Octavia Spencer e Nicole Kidman que, mesmo que tenham feito um ótimo trabalho em seus filmes, ficaram bem atrás da grande favorita. Octavia dá uma interpretação engajante em Hidden Figures e em certo momento até um pouco ambígua vendo o crescimento profissional de suas amigas enquanto ela ficava para trás. Ela interpreta a líder do departamento de computadoras da Nasa, que trabalha em dobro sem ganhar o que lhe seria devido nesse cargo.

É muito ruim ver o quanto sua personagem é subestimada pelas pessoas ao redor, mas quando ela consegue provar seu valor a todos é como ter a alma lavada. Octavia não se rende a excessos em seu desempenho, ela está contida no melhor sentido da palavra e certamente merece uma menção honrosa.

Nicole Kidman, já uma vencedora do Oscar, está irreconhecível no papel de mãe adotiva do menino Saroo em Lion. Gostei muito de ver o quanto ela entrou com vontade no projeto, como ela passa a docilidade e força de sua personagem em cenas simples e intensas. Destaque para a cena do seu monólogo quando o filho sugere que ela adotou porque não podia ter filhos, um delicado tapa na cara.

naomi
Naomi Harris em Moonlight

Naomi Harris surpreendeu todo mundo em Moonlight, já que nunca foi uma atriz conhecida em Hollywood. Para quem lembrava dela como a maravilhosa Tia Dalma da franquia Piratas do Caribe, ela conseguiu me pegar extremamente envolvida no seu relacionamento conturbado com o filho. Paula é uma viciada em drogas que chega ao ponto de só ficar feliz perto do filho porque acha que ele pode dar algum dinheiro para que ela possa comprar mais drogas.

É uma personagem com muitas nuances que muitas vezes não são fáceis de assistir. Você espera que, ao menos, a mãe seja o suporte para um menino sem pai e que sofre bullying no colégio. Infelizmente isso não acontece. E nos parte ainda mais o coração.

michelle
Michelle Williams em Manchester by The Sea

Já aconteceu de um personagem aparecer pouquíssimo tempo em cena e mesmo assim ser indicado em alguma categoria do prêmio. Foi o que aconteceu com Judy Dench em Shakespeare Apaixonado (1998) e Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (1991), ambos levaram os prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator no Oscar com apenas 10 minutos de interpretação. É o que acontece esse ano com Michelle Williams em Manchester by The Sea.

Ela interpreta a ex-mulher do protagonista (Casey Affleck) e mesmo sendo vista por pouquíssimo tempo em cena consegue ter uma presença marcante e muito intensa. Primeiro você assiste um pouco da relação antiga dos dois, em flashback, antes que uma tragédia cai sobre a vida deles. Depois, a natural separação, o peso da culpa e das divergências culmina em uma cena muito difícil em que Michelle consegue mostrar porque é uma ótima atriz. Ela consegue que sua personagem seja imensamente autêntica e traz o espectador para esse mar sem saída que o filme se torna.

viola
Viola Davis em Fences

Mas parece que já temos uma vencedora. Chegou a hora da Viola Davis levar para casa o Oscar que já está merecendo há algum tempo. Depois de se tornar conhecida por Histórias Cruzadas (2011) (junto a Octavia Spencer e Emma Stone, todas no Oscar desse ano) e fazer muito sucesso como a imbatível Annalise Keating de How To Get Away With Murder, ela injeta uma dose de brilho, melancolia e profunda raiva em Fences, pelo qual já ganhou todos os prêmios da temporada.

É sufocante e revoltante a situação pela qual sua personagem passa no filme, dirigido e protagonizado por Denzel Washington. Essas cercas que o título fala passam a sensação de enclausuramento e hipocrisia da vida que os dois, ela e o marido, dividem. É uma interpretação forte e muito profunda, cheia de sutileza e presença.

Definitivamente, foi Viola quem roubou toda a minha atenção em Fences, interpretando uma mulher comum, parecida com tantas outras que conhecemos por aí, não tem como não se engajar em sua revolta. Se não fosse Viola, seria Naomi Harris minha favorita, mais uma das tantas virtudes de Moonlight.

Crystal Ribeiro

2 comentários em “Oscar 2017: Ator e Atriz Coadjuvante

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