Oscar 2017: Melhor Ator e Atriz

Arrisco dizer que as categorias Melhor Ator e Atriz esse ano são as mais emocionantes e disputadas. Existem favoritos, mas existem concorrentes muito fortes, o que me leva a ficar bastante insegura com as minhas apostas. Mas posso garantir que erros e acertos é o que menos importa no fim das contas, divertido mesmo é assistir a atuação de cada um dos indicados em seus longas. Estão aqui reunidos os melhores filmes da temporada.

MELHOR ATOR

Quando parece que tudo está decidido para o vencedor, vem o Denzel Wanshington e leva o prêmio no Screen Actors por seu desempenho e a gente fica perdido sem saber o que pensar. É um troféu que tem muito peso para se tirar o vencedor do Oscar, afinal a tendência é que o vencedor do Screen leve também o prêmio da Academia. Será que isso vai acontecer?

Vamos aos indicados:

  • CASEY AFFLECK, POR MANCHESTER BY THE SEA
  • DENZEL WASHINGTON, POR FENCES (UM LIMITE ENTRE NÓS)
  • ANDREW GARFIELD, POR HACKSAW RIDGE (ATÉ O ÚLTIMO HOMEM)
  • VIGGO MORTENSEN, POR CAPITÃO FANTÁSTICO
  • RYAN GOSLING, POR LA LA LAND

Já falei nesse post aqui o quanto amei Capitão Fantástico. É um drama com ares de comédia que além de trazer uma história deliciosa, oferece excelentes atuações tanto do Viggo quanto das crianças que interpretam seus filhos em cena. O filme é uma experiência solar e muito divertida, e Viggo Mortensen mostra porque é um dos atores mais carismáticos e populares da nossa época.

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Viggo Mortensen em Capitão Fantástico

Sua atuação é doce e ao mesmo tempo forte, segura e muito sincera. Dentre os indicados, seu personagem foi o que mais me cativou, tenho um carinho enorme pelo Ben, um homem que se dedica inteiramente a cuidar bem de seus filhos. Não vou negar, é para ele que estou torcendo.

Assim como Viggo, Ryan Gosling é o segundo indicado a correr por fora nas indicações. Sua presença em La La Land demonstra entrega total, ele teve que se dedicar intensamente em aulas para poder passar segurança como um excelente pianista, além de ter que dançar e cantar em cena. A força de seu personagem não é tão grande quanto o de sua dupla, Emma Stone, mas não há dúvidas de que ele foi excelente. Se alguma das 14 indicações que o filme tem no Oscar é dada como perdida, essa é uma delas, porque existem outros mais fortes na disputa.

Minha maior surpresa entre os filmes indicados na categoria foi com Hacksaw Ridge, um longa dirigido pelo Mel Gibson que conta a história real de um homem que foi para a guerra como um paramédico, mas, fiel a seus princípios, jurou nunca matar. Nessa ocasião, o Sargento Doss arriscou a vida para salvar mais de 75 soldados feridos, prestando um magnífico serviço ao seu país.

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Andrew Garfield em Hacksaw Ridge

Mesmo com algumas doses incômodas de melodrama e frases de efeito, Hacksaw Ridge é um dos melhores filmes do ano, com certeza um dos que mais me emocionou. A história é sensacional e pareceu que Andrew Garfield era a única escolha possível para o personagem, o que contribuiu e muito para o sucesso do longa. Ele está soberbo, passa uma autenticidade e força muito comoventes. A indicação foi extremamente acertada.

Denzel é o segundo favorito à estatueta. Seu personagem é como uma injeção de adrenalina que dura todo filme, ele já está familiarizado com o papel (recebeu um Tony por sua interpretação na peça) o que contribui com toda a sua segurança e ajuda a colocar o público em suas mãos. Troy não é um homem ruim, mas quando se trata da forma como ele lida com sua família é impossível não sentir raiva de suas ações.

É um desempenho visceral, digno de aplausos, o que totalmente justificaria se ele ganhasse o prêmio. O que talvez não aconteça já que Casey Affleck é favorito na disputa.

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Casey Affleck em Manchester by The Sea

Eu não conhecia o trabalho de Casey até Manchester by The Sea. Ao contrário do irmão Ben, Casey Affleck dá um incrível espetáculo no filme. Taciturno, calado, cheio de culpa e remorso, sem conseguir se perdoar por um erro que cometeu e não dando a mínima para o pensamento de ninguém. É assim que ele aparece em cena, num personagem que não passa muita empatia, mas que quando descobrimos os motivos que o deixaram nesse estado, aos poucos vamos aprendendo a olhar para ele com outros olhos.

Casey é o provável vencedor, Oscar mais que merecido. O palpite alterna para o Denzel Washington, mas minha torcida é toda para o Viggo Mortensen.

MELHOR ATRIZ

A decisão aqui também é difícil. A exceção de uma, as interpretações são extremamente tocantes, completamente diferentes uma da outra, mas todas fruto do trabalho de atrizes, se não consagradas, prestes a se tornar depois do desempenho maravilhoso desse ano.

São elas:

  • RUTH NEGGA, POR LOVING
  • EMMA STONE, POR LA LA LAND
  • NATALIE PORTMAN, POR JACKIE
  • ISABELLE HUPPERT, POR ELLE
  • MERYL STREEP, POR FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER?

É um equívoco, para não dizer outra coisa, a indicação da Meryl Streep como Melhor Atriz do ano. Não que seu trabalho em Florence seja ruim, pelo contrário, mas é totalmente estranho indicá-la na categoria por um papel que tem tão pouco destaque dentre tantos outros que já interpretou. Apenas porque ela é Meryl Streep e precisava aumentar o recorde de atriz indicada mais vezes na história do Oscar (20 vezes agora). Muito triste que ela tenha tomado o lugar da Amy Adams que estava maravilhosa em A Chegada.

Mildred Loving foi o papel que levou Ruth Negga ao estrelato, até então a iraniana era pouquíssimo conhecida em Hollywood. Seu desempenho em Loving demonstra que sua carreira é muito promissora. Dona dos melhores vestidos das cerimônias até agora, Ruth está encantadora no longa, que teve sua única indicação ao prêmio nessa categoria. É uma atuação cheia de dor e indignação, mas ao mesmo tempo doce e, diria, muito elegante. A personagem mais delicada e importante, por seu significado, da premiação.

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Emma Stone em La La Land

Não há dúvidas de que Emma Stone é a estrela absoluta de La La Land. O musical, que é uma homenagem fantástica aos antigos musicais e filmes de Hollywood, a todo esse clima de magia e de sonho que a cidade de Los Angeles abriga, já demonstra ser um futuro clássico do gênero. Talvez seja um pouco cedo para afirmar isso, mas o fato de musicais não serem realizados na mesma quantidade e com tanta pompa quanto antigamente já o faz uma referência quando, futuramente, as pessoas forem olhar para trás.

O desempenho de Emma Stone no filme é a força que conduz o espectador a se encantar ainda mais pela história, nos identificamos com sua falta de sorte, com sua oportunidade que parece que nunca chega, com o sonho que ela faz de tudo para realizar. Não consigo enxergar mais ninguém que desempenharia o papel com tanta verdade e paixão. É realmente um filme para sonhadores e Emma é um deles.

Natalie Portman, no início da temporada, surgiu como a maior favorita à Melhor Atriz, mas depois veio caindo na ordem dos palpites, mais por favoritismo do que por rejeição ao seu desempenho. Em Jackie ela interpreta Jaqueline Kennedy, vivendo os dias após o assassinato de seu marido, o presidente dos Estados Unidos. É uma personagem intensa e ao mesmo tempo vulnerável, o que Natalie consegue fazer de modo excepcional. Carregada de luto, ela dá sua primeira entrevista oficial a um repórter, onde mostra sua personalidade durona e muitas vezes traída pela dor de perder o homem que ama.

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Natalie Portman em Jackie

É muito triste ver as pessoas a sua volta tomando decisões diplomáticas, ignorando sua tristeza. Além de lutar pela memória do marido, ela precisa manter a postura de alguns protocolos quando na verdade só quer passar por tudo isso bem rápido. Cinco estrelinhas para Natalie, que está tão bem em Jackie quanto na época em que levou a estatueta por Cisne Negro. Aquele sim ninguém lhe tirava.

Já se tornou cansativo falar isso, mas Isabelle Huppert está maravilhosa em Elle. Considerada a Meryl Streep da França, é Isabelle quem interpreta a personagem mais fascinante da categoria. Há quem ache que sua personagem, Michèle, é vista pelos olhos de um homem (o que não deixa de ser verdade), o que a faz perder parte do viés feminista e que torna suas ações diversas das que seriam comuns a qualquer mulher em sua situação.

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Isabelle Huppert em Elle

Eu não consigo concordar. Nem com as opiniões das pessoas que falam isso, mas também nem com as atitudes da Michèle. Ela é completamente louca, com certeza é uma das personagens mais “fora da caixa” que eu já vi, mas é isso que a torna maravilhosa.

Ela é imprevisível, não corresponde às expectativas do quem assiste, mas é uma mulher forte, decidida e que quer ter o controle da própria vida sem se vitimizar, mesmo que não gostemos dos meios que ela encontra para isso.

Minha torcida tende muito para o lado da Isabelle, porém acredito que ela seja a segunda no páreo, não me canso de elogiar seu desempenho, mas Emma Stone também é uma favorita, e provavelmente a vencedora. A essas alturas, Natalie é quem seria a zebra.

Crystal Ribeiro

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