Oscar 2017: Melhor Filme e Diretor

Este é o último post do especial Oscar 2017 aqui no Flamingos, porque, afinal, a cerimônia de entrega do Oscar já é nesse domingo (26). Eu já estou preparando a pipoca, e você? Mas ainda resta falar um pouco sobre as últimas e mais esperadas categorias do prêmio. Vamos a elas.

MELHOR DIRETOR

Certamente esta é uma das categorias mais concorridas do ano, se não a mais. O trabalho de cada um dos diretores indicados é soberbo, é aquele momento em que a Academia vai escolher o que errou menos, porque infelizmente é preciso dar o prêmio a um só. Os números indicam uma tendência e é provável que não existam surpresas por aqui.

O indicados são:

  • BARRY JENKINS, POR MOONLIGHT
  • DAMIEN CHAZELLE, POR LA LA LAND
  • KENNETH LONERGAN, POR MANCHESTER BY THE SEA (MANCHESTER À BEIRA-MAR)
  • MEL GIBSON, POR HACKSAW RIDGE (ATÉ O ÚLTIMO HOMEM)
  • DENIS VILLENEUVE, POR A CHEGADA

Dos caras da lista, foi Mel Gibson o que mais me surpreendeu. Não sou grande conhecedora do seu trabalho em Hollywood, mas sabendo que ele se especializou em filmes com a violência e brutalidade de Coração Valente, achava difícil que sua direção em um filme de guerra dirigido por ele pudesse me encantar. E eu não poderia estar mais errada.

Pode ter sido um pouco da pieguice de Hacksaw Ridge, mas Mel Gibson conseguiu que eu me emocionasse muito em um filme de guerra e eu não lembro de ter acontecido isso alguma outra vez. A estrutura pede por isso, primeiro conhecemos todo o passado do Tenente Doss, simpatizamos com ele e com suas crenças e depois que ele é mandado para guerra sofremos em cada situação difícil que ele passa.

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Mel Gibson em Hacksaw Ridge

Foi uma indicação inesperada, Denzel Washington poderia tranquilamente preencher essa vaga, mas fez jus ao trabalho do diretor. Apesar disso, ele não desponta entre os favoritos.

Denis Villeneuve é um dos diretores que mais vem surpreendendo Hollywood nos últimos tempos. Eu sou muito fã do trabalho que ele fez em Os Suspeitos, com Hugh Jackman, Jake Gyllenhal e Paul Dano e ele não decepciona em A Chegada. É difícil pensar em qualquer diretor que faça um trabalho tão denso e delicado quanto o que ele fez aqui. A atmosfera do filme é perfeita, transcende qualquer clichê inventado para filmes desse tipo.

Infelizmente, os outros indicados passam na frente pela grande campanha que foi feita de seus filmes, mas A Chegada não perde em qualidade para nenhum dos concorrentes da lista.

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Denis Villeneuve em A Chegada

Correndo um tanto por fora, Kenneth Lonergan tem, talvez, um dos trabalhos mais árduos de direção entre os indicados, o de conduzir uma história com um protagonista não muito simpático e que anda às voltas com dores que ele não consegue suportar. Manchester by The Sea é um filme bem pesado, por vezes arrastado, que incomoda, mas que revela um trabalho muito sensível por parte de Kenneth, que faz as escolhas certas e consegue captar a essência da alma machuca de seu protagonista.

A direção de Barry Jenkins em Moonlight é pura sensibilidade, tanto ao tratar a história e seus personagens quanto como eles, suas ações e sentimentos, são passados para a tela. É um dos trabalhos de direção mais lindos dos últimos tempos, ele conduz o filme de forma a mostrar o íntimo de seus personagens através de olhares e gestos, sem muito estardalhaço e frases desnecessárias. É uma direção no ponto, nada a tirar nem por.

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Damien Chazelle em La La Land

Já Damien Chazelle é todo poesia e encantamento em La La Land, o queridinho do ano. Depois de despontar com Whiplash duas edições atrás, todos ficaram esperando a próxima genialidade de Damien. E ele conseguiu. O musical é um sopro de luz e alegria diante de tanto drama que acontece no nosso dia a dia. É impossível não se impressionar com as sequências de dança e canto do longa, que consegue se inspirar em vários antigos musicais e ainda ser originalíssimo.

Damien deve levar a estatueta, mas a minha atenção ficou dividida entre ele e o Barry Jenkins. Qualquer um dos dois saindo vencedor já me deixaria muito feliz.

MELHOR FILME

A última categoria da noite, a mais aguardada e quem todos vão comentar no dia seguinte do café da manhã ao jantar.

Estes são os filmes que disputam a categoria de Melhor Filme:

  • LA LA LAND
  • HELL OR HIGH WATER (A QUALQUER CUSTO)
  • HIDDEN FIGURES (ESTRELAS ALÉM DO TEMPO)
  • FENCES (UM LIMITE ENTRE NÓS)
  • A CHEGADA
  • LION
  • HACKSAW RIDGE
  • MANCHESTER BY THE SEA
  • MOONLIGHT

Eu falei no começo dessa série que a minha parte preferida do Oscar era o começo da cerimônia quando todos os filmes são apresentados num miniclipe que mostra a quantidade enorme de temas, personagens e aventuras que é possível viver enquanto se assiste cada um deles. Esses últimos meses de preparação para o Oscar foi exatamente isso, me aventurei com as histórias mais maravilhosas que eu podia imaginar.

Chorei, ri, me apaixonei, fiquei tensa, tomei sustos, me surpreendi, me encantei, fiquei com raiva e torci muito para que as coisas se resolvessem no final. O que nem sempre acontecia.

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La La Land

La La Land e Moonlight, meus eternos preferidos, foram pura poesia. Me encantei com as cores, com a ternura dos sentimentos, com todo o amor que transbordava pela tela. Já em Lion e Hacksaw Ridge eu fiquei com o coração na mão pela vida de duas pessoas que eu nem conhecia, duas pessoas que eu descobri que existiam de verdade. Eu chorei, copiosamente até, esperando que o primeiro fosse resgatado e que o segundo tivesse suas crenças respeitadas. Não foi nada fácil assistir isso.

Em Manchester by The Sea eu fiquei tentando desvendar os sentimentos e a dor de um homem que não estava nem aí para a sua vida. Em Hell or High Water eu me vi dividida entre os dois cowboys e os dois policiais, me colocava no lugar de cada um dos personagens e tentava entender o que eu faria naquela situação. Hidden Figures foi extremamente divertido, mas cada uma das situações em que aquelas mulheres sofriam preconceito me deixava perplexa.

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Hell or High Water

Do mesmo jeito que aconteceu em Fences, eu não suportei assistir a hipocrisia do marido da Rose sem pensar que tantas mulheres passam por esta mesma situação. Já A Chegada me fez dar uma chance aos sci-fi depois de um longo hiatus deles na minha vida e perceber o que Hollywood pode fazer grandes reinvenções do gênero, o que é maravilhoso.

No fim das contas, foi uma temporada incrível, me surpreendi porque acho que vários desses filmes podem vão ser levados para minha vida pós-Oscar. Fico feliz também porque sinto que os integrantes da Academia vão ceder um pouquinho e transformar um musical (veja só!) no principal ganhador da noite. Porque o amor não pode levar uma estatueta? Minha torcida está dividida entre La La Land e Moonlight e acho difícil que outro consiga ganhar. Manchester corre por fora, mas é La La Land quem vai brilhar no domingo.

Crystal Ribeiro

 

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