Faz um ano que eu saí da faculdade e aqui está o que eu aprendi durante esse tempo

A árvore em frente ao Bloco A da Unicap em toda a sua glória

Eu enrolei tanto pra escrever esse texto que até o título ficou desatualizado, mas acho que se eu for esperar encontrar uma solução para todas as dúvidas e questionamentos que me faço sobre esse assunto vou acabar nunca escrevendo nada e, nesse caso, acredito que feito vai ser melhor que perfeito.

Acontece também que processos internos como esses a respeito de profissão, carreira e propósito nunca terminam. A gente muda tanto e a todo momento que fica difícil dizer se decisões são realmente uma solução definitiva ou apenas um tapa buraco pra próxima interrogação que aparecer na nossa cabeça.

Eu não entendia nada disso quando entrei na faculdade, lá em 2014. Se você acompanha o blog há alguns anos, conhece um pouco dos questionamentos que eu me fiz quando finalmente notei que nada na vida é linear, muito menos uma carreira. 2017 foi uma época muito difícil nesse sentido, eu me vi pela primeira vez perdida e pensando que, talvez, todos aqueles planos que eu me fiz antes mesmo do meu primeiro dia de aula não fossem se concretizar do jeito que eu achava que aconteceria ou até nem se concretizassem. Porque as pessoas mudam e os planos mudam com elas.

Como a boa pessoa metódica que sou, eu tinha uma lista mental muito bem escrita, perfumada e com letra redondinha das coisas que queria ter alcançado logo depois de receber o diploma. Porém (spoiler), nada, absolutamente nada saiu como eu previa. Claro que eu não notei isso logo de primeira, até porque, depois de apresentar o TCC, tudo eram flores e expectativas pela colação de grau e no mês seguinte eu só queria saber de descansar. Mas aí em setembro do ano passado a ficha foi caindo e começou o looping infinito do o-que-é-que-eu-tô-fazendo-com-a-minha-vida.

Eles sempre me disseram que eu deveria tirar boas notas no colégio, prestar atenção na aula e curtir enquanto as coisas ainda eram “fáceis”. Me disseram que eu precisava fazer cursinho, estudar as coisas que eu não gostava (alô química orgânica!) e tirar nota boa no Enem. Também me falaram que eu tinha que escolher um curso que eu gostasse muito, mas que também desse dinheiro (talvez nessa última parte eu tenha feito vista grossa) que finalmente eu poderia estudar SÓ por prazer. Aí disseram que era aula, prova, trabalho, festa, calourada, estágio, hora extracurricular, experiência, correr atrás e mais uma lista que não tinha fim.

Mas eles nunca me disseram o que viria depois. Ou talvez eu tenha perdido esse tutorial.

Sair da faculdade, pra mim, foi como mergulhar no vazio já que todas as certezas que eu vinha acumulando deixaram de ser certezas e viraram alguma coisa viscosa e complexa que eu não sabia onde enfiar. E por isso foi tão difícil me reencontrar depois que toda a euforia passou. Toda aquela comodidade de responder “tô na faculdade” quando as pessoas me perguntavam o que eu fazia da vida foi por água a baixo. Eu percebi que, pela primeira vez, eu estava por mim mesma. Que era a partir dali que eu precisava realmente correr atrás.

Seria muito fácil se depois de notar isso já cortasse pro momento em que eu estaria lá toda rocky-balboa-eye-of-the-tiger fazendo meus corres pra finalmente entender “qual que é” dessa vez. Mas a vida não é assim tão simples. Ao invés disso, a cena que vem agora é aquela onde eu choro e me descabelo e me cobro porque todo mundo já tem a vida tão decidida e tão certa e eu não sei nem o que eu quero fazer de verdade e fulaninho já tem um job e eu só sei procrastinar e blábláblá.

A verdade é que é foda se comparar com outras pessoas, se sentir perdido e achar que nada que você faz é o suficiente. A síndrome do impostor é uma amiga até bastante íntima minha e se eu tô num momento frágil ela aparece rapidinho pra me fazer acreditar em coisas que não são verdade em hipótese alguma. Durante boa parte desse último ano eu me senti muito mal por todas essas coisas e foi difícil pra mim entender os processos pelos quais eu estava/estou passando. Nesses momentos, eu me esquecia completamente de que eu preciso, antes de tudo, aprender a respeitar os meus processos, olhar com mais carinho e prestar mais atenção.

Não vou dizer que aprendi todas essas lições 100%, mas fez uma diferença GIGANTE dentro de mim quando eu respirei fundo e comecei a viver de verdade as oportunidades que a vida me dava. Provavelmente eu não conseguiria falar sobre isso um tempo atrás (talvez nem no momento em que completei um ano fora da faculdade), mas hoje eu percebo o tanto de coisa que me aconteceu que eu poderia ter deixado passar e então me comprometi a mudar um pouco o ângulo de visão só pra entender tudo o que tava por trás, todo o significado que essas coisas tinham.

Não dizem que Deus escreve certo por linhas tortas? Posso não estar nem de longe fazendo todas as coisas que esperava estar fazendo logo depois da faculdade, mas se eu olhar com atenção consigo ver o quão as decisões que eu tomei e as coisas pelas quais eu fui atrás de certa forma ainda estão naquele plano inicial, não do jeito que eu imaginava, mas do jeito que eu consegui fazer. E tá tudo bem.

Eu posso não estar de cara no meu emprego dos sonhos ou ganhando o dinheiro que achava que iria ganhar, algumas metas podem parecer ainda distantes, mas, nossa, quanta coisa eu conquistei! Quando parei pra prestar atenção, aquelas coisas que pareciam pequenas se tornaram grandes e importantes e, de uma forma ou de outra, me deram repertório profissional e pessoal pra planejar o que eu ainda quero fazer. Quando a gente percebe, por um segundo que seja, a nossa capacidade e que em algum lugar alguém acha que a gente é uma inspiração, não importa de que forma, isso faz uma diferença enorme. E essa é a tal mudança de ângulo que eu tava falando.

Nesse um ano, eu venho aprendendo que tudo bem não saber o que fazer; que é a coisa mais comum e saudável do mundo descobrir novos interesses (e que maravilhoso isso!); que é bom e mais do que necessário sair da zona de conforto; que cada um tem o seu processo e que nenhum deles é igual; que viver o seu mundo e os seus interesses é o primeiro passo pra olhar as coisas de um jeito diferente; que o ócio pode ser a receita pra curar os dias sem inspiração; e que minha rede de apoio é o meu maior motivo pra ser grata, porque sei que nunca vou estar sozinha.

Confesso que a maior parte dessas coisas eu só entendi depois que a tempestade passou, mas até ela passar rolou muito choro, recomeço e cabeça batida na parede. É claro que nada garante que ela não vá voltar e que, vira e mexe, eu não me descabele de novo (tenho certeza que vai acontecer em algum momento). Parece que os B.Os pra se resolver são infinitos e que o sentimento de que a gente poderia estar fazendo mais e melhor fica o tempo todo encarando com olhos grandes e acusadores.

Mas quando a tempestade passou, eu fui entendendo que viver um dia de cada vez é muito importante. Brigar com meus processos internos não faz diferença quando tá mais que na cara que tudo o que eu preciso é respeitar e fazer o meu melhor. Eu acho que quando a vida adulta bateu na minha porta, o essencial talvez nem tenha sido encontrar um caminho, mas manter a cabeça no lugar pela maior quantidade de tempo possível. Eu demorei a notar isso, mas é só quando a mente tá tranquila que a gente consegue definir qual o próximo passo, e esse tem sido meu maior objetivo.

4 comentários em “Faz um ano que eu saí da faculdade e aqui está o que eu aprendi durante esse tempo

    1. Ninguém disse que seria fácil, né Nana? kkkk O bom é que aos pouquinhos a gente vai entendendo onde a gente tá pisando e o desespero da primeira vez vai passando. Você não sabe como eu fico feliz em saber que você gosta do que eu escrevo e ainda se identifica com o que eu passo! Às vezes fico meio paranoica imaginando se vale a pena escrever sobre esses momentos complicados, mas me faz muito bem colocar pra fora, e saber que do outro lado tem gente que se identifica com essas coisas me deixa ainda mais animada. Abraço!

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      1. Não pare de escrever, de alguma forma temos que colocar essas coisas pra fora. Tbm fico animada e ao mesmo tempo triste em achar gente passando por essas coisas, não é nada fácil. Mas, é bom ver que não estamos sozinhos, e que de certa forma é ate normal o que passamos. Abraços!

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      2. Não vou parar de escrever não, prometo! Também acho que o que a gente passa é absolutamente normal e quando a gente encontra pessoas que podem ajudar a gente a passar por isso juntas é muito melhor. Abraço!

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