“Aprende a entender o seu momento”

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Eu não costumo gostar do período em que eu passo menstruada, principalmente aqueles três primeiros dias. Neles eu me sinto indisposta, fico rabugenta e hipersensível ao que acontece perto de mim e isso não me agrada nem um pouco (e, às vezes, quem convive comigo. Desculpa!). Principalmente a parte da indisposição. Parece que a minha menstruação escolhe descer naquela parte da semana em que eu tenho compromissos que não dá pra desmarcar ou que tenho coisas pendentes que não posso mais adiar e isso me deixa louca.

Geralmente eu tiro da minha lista de prioridades tudo aquilo que não for EXTREMAMENTE importante de se fazer, mas o fato de deixar as coisas de lado e me concentrar em deixar a cólica passar vendo um filminho bobo me deixa muito culpada. Eu sei que é péssimo, mas na maioria das vezes eu não consigo fazer outra coisa a não ser me achar um lixo por não conseguir me concentrar em nada que não seja mais uma comédia romântica na TV ou em tentar terminar o meu dia logo para me deitar na minha cama com uma bolsa de água quente por perto.

No momento em que eu escrevo esse texto, é exatamente nessa parte do mês em que eu estou e foi inevitável pra mim achar que eu poderia estar fazendo mil e uma coisas a mais do que eu estou fazendo agora (no caso, aproveitando cada segundo desse surto criativo inesperado para produzir algo) e me sentindo bem melhor comigo. Mas só até eu conversar sobre isso com a minha mãe e ela falar assim pra mim: “Se você sabe que todo mês isso vai acontecer e você vai se sentir assim, porque você simplesmente não para de se culpar? Aprende a entender o seu momento”.

Pois é. Mais uma vez, ela estava certa. E me deu um belo soco na cara. Figurativamente, claro.

É uma coisa tão óbvia que, quando eu ouvi, não acreditei que tinha esquecido. Eu estava tão ocupada discutindo com as infelicidades do meu ciclo menstrual que nem parei pra pensar no quão inútil isso é e no quão dura eu estava sendo comigo mesma sobre uma coisa que inevitavelmente vai acontecer.

Acho que ser gentil com a gente é algo que, se não ficamos constantemente nos lembrando, vamos deixando que o mundo e a situação e o humor e a vida nos engula, sem que a gente pare pra refletir e pense que, de repente, pode ser que a tal gentileza se aplique aí.

Entender o nosso momento e respeitar o que a gente tá vivendo talvez seja uma das coisas mais difíceis de todas. Pelo menos, no meu caso, é bastante. Ser produtiva é algo importante pra mim, e sempre vejo tantas pessoas por aí fazendo mil coisas durante o dia que acabo achando que o padrão é justamente esse: ser um super-herói 100% do tempo. Quando na verdade é exatamente o oposto: a gente não tá disposto e empolgado o tempo todo, ninguém é assim. E tá tudo bem.

É importante nos lembrar sempre de respeitar o nosso momento atual, assim como também é importante aprender que nem todos os dias a luz do sol vai nos encantar pela manhã e que inseguranças são normais ao ser humano. E que alguns momentos ruins são maiores que outros e tá tranquilo.

E mesmo que eu saiba que daqui a alguns dias eu vou estar me sentindo bem melhor, eu já estou fazendo o máximo que eu posso hoje. Eu tô escrevendo esse texto! Só isso, pra mim, já deveria ser uma vitória. Pode ser que não seja o ideal pras metas que eu tinha pro meu dia, mas é o que eu posso fazer no momento e sou muito grata por conseguir abrir uma brecha nessa indisposição chata e fazer pequenas coisas.

Porque a gente não se propõe esse exercício? Vamos lembrar de ser mais gentis com a gente e entender os nossos momentos. E, claro, ser gratos por aquilo que fizemos no nosso dia, mesmo que pareça insignificante. Eu vou tentar lembrar disso por aqui e você tenta por aí, combinado?

Se cultivar com amor

 

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“Ela se cultiva da mesma forma que cultiva rabanetes na varanda: com amor”

Essa foi uma frase que nunca saiu da minha cabeça desde que eu a li em Como ser uma parisiense, livro que já resenhei aqui no blog. Vira e mexe eu penso nela e na importância que ela representa. Você já pensou sobre isso? Em se cultivar com amor?

Não são poucas as vezes em que a gente prioriza Deus e o mundo e acaba se deixando de lado. Tem tantas coisas que parecem precisar mais da nossa atenção. Nos envolvemos com trabalho, família, relacionamentos, stories do Instagram, pendências no banco e tantas outras coisas que no final, nem nos lembramos de nos colocar na nossa lista de afazeres. E nem consigo dizer o quão isso é importante.

Se a gente não tá legal fisica e mentalmente, como podemos viver bem? Como que se consegue olhar com amor para o mundo e enxergar beleza? Como não se deixar levar por essa pressão constante de estar sempre entre os melhores, de ser produtivo 100% do tempo e achar que o amanhã é sempre melhor que o hoje? Hoje ainda dá tempo de ser um bom dia, de ter um momento em que a gente fica bem com a gente mesmo.

Quando falamos sobre cuidar de nós mesmos é bem mais fácil lembrar de primeira em cuidados estéticos e eu acredito sim que mostrar pro mundo a melhor versão de nós mesmos é tão importante quanto estar com a cabeça no lugar. Quando a gente olha no espelho e se vê genuíno, honesto com o que a gente quer passar é como se tudo se encaixasse. E o legal é que o ato de se cuidar por fora (e por dentro também) quem determina é você, não precisa ser imposto por ninguém e só você pode ditar as regras.

As maneiras são diferentes, mas o princípio do auto-cuidado é sempre o mesmo: olhar para dentro de si e se perguntar o que você tá sentindo, o que tá faltando. Tem dias em que eu tenho uma sensação chata de que as coisas estão fora do lugar, que eu não estou bem o suficiente, que tem alguma coisa faltando. Essa ansiedade vem, muito provavelmente, por conta da minha cobrança (quase) constante de que eu deveria ser perfeita o tempo todo, de ter que “ticar” todas as minhas tarefas do dia, estar sempre disposta e de bem comigo.

Nem sempre isso é possível. A gente não é produtivo ou está de bom humor ou querendo conquistar o mundo o tempo todo. Por isso é tão importante olhar para dentro da gente e ser gentil, entender nosso estado de espírito e que está tudo bem.

Praticar esse exercício de gentileza e de aceitar o seu momento talvez seja uma das coisas mais importantes dentro do nosso auto-cuidado. Já tem tanta gente lá fora dizendo como temos que ser e agir que permitir que nós também façamos isso com nós mesmos não deveria ser algo comum. Podemos viver sem essa cobrança toda.

Acredito que o poder de se cultivar com amor está nas pequenas coisas que fazemos por nós no dia a dia, que entram tão fluidas na nossa rotina que a gente nem sente, mas quando para pra pensar, vê o bem danado que faz.

Pra mim, cuidar do meu corpo, por dentro e por fora, é o maior sinônimo de auto-cuidado possível. Dormir bem, tomar muita água, hidratar minha pele, tomar um suco verde, fazer máscara de argila, sair pra caminhar na praia escutando música, ler um livro antes de dormir, arrumar meu quarto, assistir vídeos no YT que me ensinem coisas novas, conversar sobre coisas que estão me deixando insegura. Essas são algumas coisas que me fazem ter a sensação de estar contribuindo de alguma forma para meu bem estar.

E o melhor é que cada um tem um jeito de se auto-cuidar. Não existem regras e nem certo ou errado, apenas o que te faz bem e que te ajuda a se sentir melhor com você mesmo. Aproveitando a oportunidade, listei aqui algumas coisas que podem te ajudar nesse processo:

  • Fazer uma limpa no Instagram (deixar de seguir perfis que só te deixam pra baixo e bloquear os stories que não interessam);
  • Repensar aquele relacionamento que mais te deixa pior do que melhor;
  • Fazer algo que sempre quis, mas que nunca fez pelo simples motivo de achar que não vai conseguir;
  • Procurar terapia;
  • Otimizar o tempo que você passa no transporte público ouvindo um podcast de um assunto que te interessa;
  • Investir num hobby;
  • Parar um pouco, respirar conscientemente e olhar para o céu;
  • Praticar mindfulness (consciência plena);
  • Voltar a estudar.

As opções são infinitas e o ato em si é lindo. É difícil entender, mas ninguém pode fazer isso por nós e nem o mundo vai parar para que a gente passe alguns momentos na semana investindo no nosso bem estar. Temos que nos colocar como prioridade algumas vezes e entender que não é egoísmo pensar na gente, mas um ato de amor que ninguém pode nos tirar.

Sobre autoconhecimento e mudanças no blog

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Pensei seriamente se deveria excluir todo o conteúdo que já tinha produzido no Flamingos para poder iniciar algo do zero agora. Eu sou uma grande fã de começar coisas do zero e já comecei tantos blogs do nada que achei que não seria difícil para mim dessa vez. Mas foi só pensar em tirar do ar tantas coisas legais que já escrevi por aqui ou em abandonar esse espaço que me faz tão bem há tanto tempo que já me bateu um aperto no coração e eu logo desisti da ideia.

Foi aqui, no antigo Flamingos no Café, que eu encontrei o tipo de conteúdo que eu queria fazer e a linguagem que eu queria usar. Mas não posso ignorar o fato de que meus objetivos quando comecei o blog eram bem diferentes dos que eu tenho agora e, mais do que isso, eu não sou mais a mesma pessoa que começou a postar por aqui.

O blog parece e está totalmente diferente do que ele era, por quê eu também estou. O período em que estive na faculdade foi decisivo para que eu (finalmente) desse de cara com o autoconhecimento, uma palavrinha que eu não conhecia até pouco tempo atrás. O Flamingos marcou o momento em que eu estava começando a deixar de lado a pressão para me ajustar a grupos e a minha inconsciente obrigação de achar que para ser “interessante” eu deveria me interessar por coisas que nem eram tão legais para mim.

Naquela época, eu comecei a olhar com mais atenção para mim mesma e identificar onde eu me sentia mais confortável, quais pessoas me traziam esse sentimento, quais peças de roupa, comportamentos, ideologias. Eu descobri que tudo isso fazia parte de um lindo processo de autocuidado que eu precisava ter comigo, afinal nada mais bonito que olhar no espelho e se ver completo, genuíno e honesto, vestido de si mesmo.

E foi assim que eu me vi ao terminar meu curso de Jornalismo. O período que passei na universidade foi repleto de aprendizados sem fim, e fico muito feliz de notar que muitos deles foram a respeito de mim mesma, não como profissional, mas como pessoa mesmo, que hoje não está livre de inseguranças, mas que se sente centenas de vezes mais confortável consigo do que aquela adolescente de quatro anos atrás.

Por isso não via sentindo em continuar no blog com a mesma cara e até com o mesmo nome que ele tinha antes. Agora ele é feito dente-de-leão para representar a pessoa liberta de várias antigas amarras que sou hoje. Alguém que enxerga melhor suas novas possibilidades e que se sente mais positiva sobre elas. Que gosta de enxergar o amor nas coisas que faz e naquilo que o mundo lhe apresenta.

Sou muito grata por todos os momentos que esses quatro anos de universidade me proporcionaram e por todas as pequenas coisas que me tornaram a pessoa que eu sou hoje. Me perdendo, eu meio que me encontrei dentro de mim mesma e estou muito ansiosa para compartilhar todas as maravilhosas aventuras que virão pela frente.

Espero que você esteja comigo nessa.