5 livros que li este ano + algumas leituras extras

Assim como eu falei no post anterior a esse, ler pelo menos uma hora por dia é uma das minhas maiores metas pra 2019. Confesso que não tá sendo tão fácil quanto eu imaginei que seria. Junho, por exemplo, foi um mês absolutamente fora do comum. Além de ter trabalhado e estudado bastante, fiz muitas viagens e elas acabaram me dispersando do objetivo de enfiar a cara nos livros e dar menos espaço pras redes sociais no dia a dia.

Mas apesar do meu ritmo de leitura estar bem longe do que eu considero que seja o ideal pra mim, ele tem sido constante. Eu não tenho dado muito espaço entre a leitura de um capítulo e outro e, no fim das contas, acho que isso é o que mais importa.

É verdade também que eu preciso me dar um desconto: estou lendo muitos autores novos, alguns que tem um estilo completamente diferente do que eu tô acostumada, então é legal levar isso em consideração né?

Nesse post, eu venho contar como foram as leituras que eu fiz esse ano, sendo todas elas de livros que eu ganhei/comprei em 2019 mesmo, já que, ano passado, eu consegui dar cabo de todos livros da estante que ainda não tinham sido lidos. Ao todo foram cinco leituras inéditas, um livro de pequenas histórias e uma releitura.

1984 – George Orwell

Em seu último romance, George Orwell criou Winston, que vive aprisionado em uma sociedade completamente dominada pelo Estado. Essa submissão ao poder, é relatada, inclusive, na rotina do personagem, que trabalha com a falsificação de registros históricos a fim de satisfazer os interesses presentes. Winston, contudo, não aceita bem essa realidade, que se disfarça de democracia, e vive questionando a opressão que o partido e o Grande Irmão exercem sob a sociedade.

Comecei o ano com meu primeiro George Orwell da vida e ainda tenho minhas dúvidas se essa foi uma boa escolha. Não que não tenha sido um bom livro, muito pelo contrário, a história é de tirar o fôlego e eu adorei o jeito como o autor usa as palavras e desenvolve suas ideais na história sem muita firula. Mas não dá pra negar o balde de água fria que o livro dá em você ao longo da trama. Foi minha primeira distopia “adulta”, foi bizarro e me deixou muito mal, com uma ressaca literária como nunca tinha acontecido. Mas, apesar do soco no estômago, só me deixou com mais vontade de ler outras distopias, que é um gênero difícil de ser lido, mas extremamente necessário.

“liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro. se isso for admitido, tudo o mais é decorrência”

Mrs. Dalloway – Virginia Woolf

Considerado uma obra-prima, Mrs. Dalloway conta uma história das mais simples, que poderia ser resumida de forma banal na expressão “um dia na vida de uma mulher”. Através da percepção do que se passa em torno e dentro de Clarissa Dalloway, Virginia Woolf escreveu, na verdade, a história da crise de um indivíduo, de uma classe, de uma sociedade e a do próprio romance.

Virginia Woolf acabou comigo em Mrs. Dalloway quando partiu de uma premissa absolutamente banal para fazer um estudo profundo e muito delicado da alma humana, do que somos, do que deixamos transparecer e do que guardamos pra nós mesmos. Sendo não apenas meu primeiro livro da autora como também o primeiro escrito através do fluxo de consciência (obrigada Lavoura arcaica e On the road por me prepararem pra essa leitura!) foi um tanto complicado engatar na leitura sem desistir, precisei de muita paciência e concentração. Felizmente, consegui terminar a leitura querendo ler mais, muito mais sobre Clarissa Dalloway e Septimus Warren Smith, esses personagens extremamente complexos e adoráveis. Adorei o tom contemplativo da história que parecia me pegar pela mão pra sentar junto num parque e observar o que acontecia em volta, com muita calma.

“tinha uma sensação permanente, olhando os táxis, de estar longe, muito longe, bem longe no mar e sozinha; sempre era invadida por essa sensação de que era muito, muito perigoso viver, ainda que por um dia”

A verdadeira Jane Austen – Paula Byrne

A biógrafa Paula Byrne parte de objetos cotidianos – um xale, uma carruagem, um corte de renda, uma caixa de instrumentos de escrita – para desvendar a vida da amada romancista. A mulher que daí emerge é muito mais forte e vivaz, mais consciente política e socialmente, e em geral mais moderna do que a imagem convencional da “querida tia Jane”. O texto explora as forças que moldaram a existência e a obra de Jane Austen, sua longa luta para se tornar uma autora publicada e a exibe às luzes do século XXI.

Quando comprei esse livro no meu aniversário do ano passado eu já sabia que ele, provavelmente, seria o meu maior desafio de 2019. Não por ser enorme (e é mesmo), mas porque essa é uma biografia, gênero que eu não tenho nenhum costume de ler. Mas como eu sempre tive muita vontade de ler uma biografia da Jane, por ser minha autora preferida, decidi superar o medo depois de tanto passar e ver esse livro na vitrine. Pra minha surpresa, eu não pude escolher uma obra melhor para começar pelo universo das biografias já que a autora conta a história da Jane da forma menos linear e tradicional possível. Foi impossível não me apaixonar ou me deixar inspirar pela pessoa que foi Jane Austen depois dessa biografia.

O processo – Franz Kafka

Publicado postumamente, O processo conta a história do bancário Joseph K., que, por razões que nunca chega a descobrir, é preso, julgado e condenado por um misterioso tribunal. Nesse romance, a ambiguidade onírica do peculiar universo kafkiano e as situações do absurdo existencial chegam a limites nunca suspeitados. A ação desenvolve-se num clima de sonhos e pesadelos misturados a fotos corriqueiros, que compõem uma trama em que a irrealidade beira a loucura.

O processo mais parece um sonho, onde você cai em situações cada vez mais absurdas e não faz a mínima ideia de como vai terminar toda a confusão. Ao contrário de A metamorfose, este não é um livro nem um pouco redondinho: ele tem vários capítulos inacabados que foram, postumamente, agrupados numa ordem duvidosa. É uma leitura bem difícil, completamente bizarra e que pode suscitar dezenas de interpretações. Pra mim, O processo fala sobre a paranoia humana e a que ponto nós podemos leva-la até que ela se torne uma realidade. Queria ter me identificado menos com Josef K. nesse ponto.

“o tribunal não quer nada de ti. ele te recebe quando tu vens e se despede quando tu vais”

Madame Bovary – Gustave Flaubert

Emma é uma mulher sonhadora, uma pequeno-bur­guesa criada no campo que aprendeu a ver a vida através da literatura senti­men­tal. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles Bovary, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento de uma filha dá alegria ao indissolúvel casamento no qual a protagonista sente-se presa. Como Dom Quixote, que leu romances de cavalaria demais e pôs-se a guerrear com moinhos, ela tenta dar vida e paixão à sua existência, escolha que levará a uma sucessão de erros e a uma descida ao inferno.

Minha curiosidade em ler Madame Bovary era imensa justamente porque ela é considerada a obra que deu origem ao realismo, meu movimento literário preferido, onde estão incluídos autores como Machado e Eça de Queiroz. Eis que Flaubert dá um belíssimo de um tapa na cara de todos os leitores com esse livro maravilhoso. Eu ainda tenho minhas ressalvas sobre como autores clássicos retratam personagens femininas adúlteras, mas é inegável o quão primoroso e revolucionário é Madame Bovary. Um livro escrito com muita atenção às palavras e aos personagens, tipos sociais complexos que poderiam perfeitamente habitar a sociedade atual. Em todas as suas falhas, Emma Bovary conseguiu ser uma das protagonistas mais humanas que eu já conheci.

“no fundo de sua alma, no entanto, ela esperava um acontecimento. não sabia qual seria aquele acaso, o vento que o arrastaria até ela. mas, todas as manhãs, ao despertar, ela o esperava para o mesmo dia”

  • Amor e amizade & outras histórias – Jane Austen

E como não poderia deixar de ser, continuo na saga de ler absolutamente tudo o que Jane Austen deixou para a posteridade (seria pedir demais alguém encontrar um romance completo dela perdido por aí?). Amor e amizade é um livro tão fininho que foi ele o escolhido pra ir numa das viagens que eu fez mês passado e ele foi o passatempo perfeito das horas de voo. Depois de ter lido a biografia da autora, descobri que as histórias desse livro fizeram parte da Juvenília da Jane, aquelas histórias que ela escrevia ainda adolescente pra divertir a família em saraus e reuniões. Eu quase podia imaginar ela com os escritos na mão, andando pela sala, lendo pros seus familiares que não paravam de rir, assim como aconteceu comigo. Mesmo se tratando de histórias simples, dá pra sentir aquele dedinho de genialidade e ironia com que ela trataria a sociedade já despontando.

  • As vantagens de ser invisível – Stephen Chbosky

Esse é um daqueles livros que eu li na minha adolescência, mas que ainda resistiram na estante mesmo depois de muitos desapegos. E com o feriado da Páscoa tava meio entediante e tava na necessidade de dar um tempo no Kafka, aproveitei a oportunidade para reler e saber se eu continuava com ele ou passava pra frente. E não é que eu continuei apaixonada pela história? 6 anos depois, já formada, um bocado mais de experiência de vida e eu ainda achei uma das coisas mais sensíveis que eu já li sobre juventude. Então decidi ficar com ele por mais alguns anos até que a história já não faça mais tanto sentido pra mim.

E é isso! Mas e você? Quais foram os livros que você já leu esse ano? Me conta nos comentários. Até a próxima!

Diário de leitura – Machado de Assis: A Mão e a Luva (1874)

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Um dos projetos em que estou mais me empenhando em 2017 é o de ler mais. Depois de ter retomado (e muito) meu ritmo de leitura no fim do ano passado decidi que a coisa não podia parar, meu objetivo é estar sempre com um livro à mão, qualquer um, desde que fosse alguma coisa que deixasse meu dia mais colorido, animado, intelectual ou o que fosse. Afinal, consumir cultura é um dos principais objetivos da minha vida, não existe nada melhor do que viver constantemente aprendendo e se renovando de formas tão deliciosas quanto as que a cultura nos proporciona.

Então, depois de Mansfield Park e leves doses de José de Alencar, decidi parar de postergar a leitura da obra completa de Machado, já acumulando poeira na estante de tanto tempo que ela está comigo. Fora Memorial de Aires, sua última obra, tenho todos os romances do autor, além de um bom número de contos seus, que são maravilhas a parte. Foi através de Machado (como eu falei um pouco nesse post) que comecei a me interessar por um tipo mais “adulto” de literatura, seus livros me mostraram uma outra forma de escrita e de colocação de ideias que eu não estava acostumada a ler e pela qual eu me apaixonei.

Depois de Dom Casmurro, fiquei decidida a ter cada um de seus romances, mas desses li apenas os mais famosos: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e, claro, Dom Casmurro. Foi então que disse para mim mesma: “Desse ano não passa!”. Começa agora meu Diário de leitura de Machado de Assis, que é nada menos do que uma série de resenhas de seus livros a medida que eu os for lendo.

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Sim, comprei num sebo em 2012 e só li agora em 2017
Ao contrário do que eu achava, Machado nem sempre foi um autor realista. Aprendi nas aulas de literatura que antes de ser famoso pelo realismo elegante de suas obras, ele seguiu os passos de José de Alencar e escreveu quatro romances tidos como românticos, que era o movimento que estava em alta na época. O segundo deles, A Mão e a Luva, mais parece um conto do que um romance de tão curtinho que é. Uma historinha simples que dá para ler de uma tacada só, um autêntico exemplar da literatura romântica. No livro, a protagonista Guiomar se vê dividida entre a preferência de três homens completamente diferentes e dos quais precisa escolher um para se tornar seu marido.

O enredo não parece muito interessante à primeira vista e sinto informar que à segunda também não. A simplicidade narrativa do romance pode decepcionar bastante, já que ele não é bem um romance. O número de personagens e acontecimentos é bem limitado, a impressão que eu tive é de estar lendo um livro como A Moreninha, outra obra do romantismo, que é tão curto que parece se desenvolver em apenas um dia. Eu, que esperava um romance tradicional, me decepcionei bastante com o formato de A Mão e a Luva, que também não foi feliz no desenvolvimento da empatia por seus personagens.

Guiomar, não há dúvidas, é uma personagem bastante revolucionária para sua época. É uma protagonista que, apesar de ter o casamento como objetivo, não está disposta a aceitar uma história de amor tradicional, ela é ambiciosa e sabe bem o que quer. Embora as coisas aconteçam dessa forma, o que é um grande diferencial na narrativa de Machado em comparação com outros escritores da época, não bastou (pelo menos para mim) para desenvolver uma afinidade pela personagem. Mesmo que seus defeitos a façam mais real, não consegui gostar dela, sempre muito irritante e cheia de si. Estou até hoje tentando entender que encantos ela tem para ter atraído tanta gente.

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Seus pretendentes também não ficam muito atrás. Estevão, o romântico incorrigível, é tão cego de amor pela protagonista que não consegue entender o quão ridículo está parecendo. Jorge é outro vazio de empatia. Ele espera que o simples fato de ser sobrinho da baronesa que cria Guiomar o faça ser o escolhido. Além de ser um herdeiro preguiçoso, suas atitudes são extremamente covardes para ganhar a atenção de alguém. Luís Alves é o que ganha mais destaque entre os três. Sua personalidade se destaca por ser um meio termo entre o apaixonado e o sem interesse. Ele é perspicaz e ambicioso, o que o torna menos caricato do que seus concorrentes.

Como dá para ver, os tipos do romance são um tanto convencionais e a trama chega a ser bem previsível. Mas se tivesse que destacar qualidades em A Mão e a Luva, quais seriam elas?

Bom, para quem, assim como eu, se interessa em ler a obra completa de Machado, saiba que este romance conta mais como um estudo de autor do que como um entretenimento de verdade. Aqui o escritor está mais preocupado em fazer algo nos moldes do romantismo do que propriamente desenvolver uma trama interessante. Pelo menos essa é a impressão que ficou para mim. Definitivamente, a melhor coisa no livro é sua escrita. Mesmo em início de carreira e escrevendo um romance que não combina com a sua veia irônica, Machado consegue escrever com a leveza e destreza que facilmente se observa em seus livros mais aclamados. Existe aqui uma pitada de ironia e originalidade próprios do escritor, coisa que, mesmo estando lendo algo do romantismo, já torna a narrativa mais viva e interessante e muito menos melosa e “bonitinha”.

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Não dá para negar que o Machado romântico não chega aos pés do realista, apesar que, confesso, o suspensezinho que o escritor inseriu no fim da obra me pegou de surpresa e ganhou alguns pontos. Claro que se você gosta de autores brasileiros românticos como José de Alencar (Senhora, Iracema), Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha) e Bernardo Guimarães (A Escrava Isaura) pode facilmente se interessar por A Mão e a Luva. Eu, que sou eternamente devota ao realismo, não consigo achar muita graça em livros como esse. Mas no fim das contas, bom mesmo foi saber que, até romântico, ele consegue ser Machado de Assis.

Mansfield Park (1814), de Jane Austen

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Fanny Price, a protagonista de Mansfield Park (1814), me lembrou muito a Cinderela. Com poucos anos de idade ela saiu da casa de sua mãe para morar com os tios na grande mansão Mansfield, como um favor que eles decidiram fazer à mãe da menina, que tinha muito mais filhos e muito menos dinheiro que eles. Mas ainda que estivesse convivendo com gente de sua própria família, Fanny tinha sua inteligência e talento sempre subjugados, vivia de prestar favores a suas tias e se rendia a todos os caprichos dos primos. A todo momento ela era lembrada pela terrível Tia Norris que vivia ali apenas de favor e como devia tudo a seus tios que a salvaram da obscuridade.

É verdade que estando em Mansfield, Fanny recebeu todas as vantagens de uma boa educação, conforto e acesso a muitos privilégios que em outras condições jamais teria, mas nada justifica o quanto sua introspecção e timidez foram ainda mais intensificados pelas críticas e falta de incentivo que recebia. Não consegui não me lembrar da Cinderela enquanto acompanhava as aventuras de Fanny na mansão, pois, em certo momento do livro, assim como a Cinderela, ela teve o seu primeiro baile tão sonhado em que floresceu aos olhos de seus tios. Ela deixou de ser uma coadjuvante para ter a força para ser a protagonista de sua própria história, tomando todas as atitudes e decisões, que já eram dela, e conseguindo o respeito de todos.

Inclusive o meu. Assim como (quase) todas as protagonistas de Jane Austen, Fanny Price é dona de um caráter corretíssimo. Durante todo o livro ela se manteve firme em seus princípios enquanto eu morria de raiva por ela não ser mais flexível, impulsiva e menos desconfiada do caráter das pessoas a sua volta. No fim das contas, esse seu modo de agir me deu muitas lições através do livro, e aliás, quanto devo à Jane por lições aprendidas.

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Tive alguns autores que marcaram algumas fases da minha vida como Ziraldo quando eu era criança, Pedro Bandeira e Meg Cabot na pré-adolescência e então Jane Austen na adolescência e fase adulta. Crescer com os livros da Jane foi tão importante para mim quanto qualquer outro aprendizado que eu pude receber da minha família, dos meus amigos e das pessoas a minha volta. Por mais piegas que possa parecer, cada uma de suas protagonistas me inspirou a melhorar em algum aspecto. No caso da Fanny, essa retidão de caráter, o fato de se manter firme aos seus princípios e agir de acordo com eles o tempo todo foi o que mais me inspirou. Era duro reconhecer que, em certos momentos, ela estava certa, e enquanto eu teria aberto mão de algumas convicções para atender pedidos, eu sabia que Fanny é quem tinha razão.

Mas apesar de ter uma protagonista forte, o restante dos aspectos da obra Mansfield Park não são tão superiores quanto outros livros da autora. A obra é um tanto arrastada em seu começo só tomando um rumo mais animador e interessante lá bem depois da centésima página, que é quando realmente acontece alguma coisa na história. Por causa dessa vagarosidade e pelo jeito quieto de Fanny, a impressão que se tem é que ela só aparece depois de muito tempo que o livro começou, ficamos esperando que algum acontecimento traga ela para a história, o que demora muito a acontecer. É válido ressaltar que Mansfield é o livro mais comprido de Jane Austen, o que deixa ainda mais evidente o quanto boa parte das páginas poderiam ser retiradas para dinamizar um pouco mais a leitura.

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Fora essa observação, Mansfield Park tem todas as características mais que conhecidas dos livros da autora: uma protagonista forte, a crítica à sociedade elitista de sua época, personagens tóxicos por sua falta de caráter e um belo final feliz. Talvez a maior ousadia de Jane foi não desenvolver em Fanny um interesse amoroso explícito, o que acontece com todas as suas outras personagens. Senti muita falta disso, apesar de não ter me incomodado de todo com ela só compartilhando seus sentimentos lá no final do último capítulo.

Com a ingenuidade de Catherine Morland (A Abadia de Northanger), a introspecção e maturidade de Anne Elliot (Persuasão), a racionalidade de Eleanor Dashwood (Razão e Sensibilidade) e a força de caráter de Lizzie Bennet (Orgulho e Preconceito), Fanny Price é a protagonista que vale a leitura de Mansfield Park. Não que a crítica e a ironia mordaz de Jane Austen por si só não valham, mas é a construção da personagem que chama atenção na história. O livro pode não figurar entre o meu Top 5 da autora, mas faz um belo trabalho ao nos colocar mais uma vez na atmosfera de sonho e reconforto que abraçam os livros de Jane.

Crystal Ribeiro