Eu tenho pensado sobre piloto automático

(via Pinterest)

Semana passada eu saí com duas das minhas amigas mais antigas e acho curioso notar que, toda vez que a gente se encontra, sempre rolam umas reflexões meio aleatórias, mas super importantes pra fazer a gente pensar uma na outra de modos diferentes e até pra servir de inspiração pra viver as coisas das nossas vidas de uma forma mais legal.

Nós nos conhecemos há mais de 10 anos, temos rotinas bem diferentes e demora semanas ou até meses (na verdade, mais meses) até que a gente consiga se ver de novo. Mas é certeza que cada novo date, cada troca de experiência não só mostra como nós amadurecemos através dos anos, mas faz a gente voltar pra casa com aquela pulguinha atrás da orelha em relação a alguma atitude que a gente tá tomando, repensar hábitos e dar um gás pra seguir atrás dos objetivos.

Toda essa introdução foi pra dizer que essa última vez que a gente saiu pra jantar eu compartilhei com elas como tava feliz com o fato de vir conseguindo cumprir as metas que eu coloquei pra mim lá no começo do ano: começar aulas de yoga, fazer uma tatuagem, começar a pós-graduação e mais algumas outras. Mas foi aí que, quando eu já tava voltando pra casa, me lembrei que tinham umas metas na minha lista que eu simplesmente não conseguia arranjar tempo pra cumprir (uma delas, inclusive, era manter esse maravilhoso blog).

Daí que no caminho de volta eu repassei toda a minha rotina, pensei no que eu costumo fazer durante os dias da minha semana e não entendi bem pra onde estavam indo as horas que eu gostaria de reservar pra dar continuidade aos projetos que são importantes pra mim.

Resolvi escrever esse post não pra falar sobre produtividade como pode ter parecido nesse último parágrafo. Também não é sobre me dar um sermão ou nada do tipo. Na verdade, esse é um tema que eu teria abordado lá no meu diário, porque sinto que o que eu quero dizer é pessoal demais e talvez não interesse a ninguém. No fim das contas, resolvi escrever sobre isso aqui porque talvez alguém em algum lugar leia e se identifique com o que eu quero dizer.

E o que eu quero dizer é que talvez (só talvez) a gente viva inconscientemente num piloto automático muito tóxico. Talvez isso não seja surpresa pra você, mas essa reflexão ganhou mais peso pra mim quando eu pensei sobre isso através dos anos: pensei em todos os projetos que eu postergo por algum motivo e pensei como minha vida seria daqui uns anos não tendo realizado as coisas que são importantes pra mim. Do alto de todos os meus privilégios, eu vi meus dias sendo preenchidos apenas com “o pacote básico” de atividades, sendo que eu tenho tempo sim pra poder fazer mais do que seria necessário.

E, vamos ser sinceros, se eu tenho tempo no meu dia pra fazer mais do que o essencial (a.k.a. as demandas das outras pessoas), porque não fazer?

Parece uma coisa simples, mas, vendo como esse mês de agosto passou rápido, eu vi como era confortável pra mim fazer o básico e preencher o restante do dia com coisas que não faziam sentido como um autêntico projeto futuro e que me trouxesse muitas coisas boas a longo prazo. Me pareceu que os dias passavam rápido demais com aquela sensação ruim de que o tempo passava e eu só tava lá assistindo.

A verdade é que eu queria ter dito pras minhas amigas naquele dia que eu também tava tendo sucesso nesses projetos, não só em coisas pontuais que aconteceram comigo. E a questão não é desvalorizar todas aquelas metas que eu já consegui cumprir, mas é parar pra observar aquelas que eu tô adiando e me perguntar “porque que eu tô fazendo isso?” e “o que eu posso fazer pra tirar elas do papel?”.

Claro que muitas coisas acontecem na nossa vida que precisam que a gente fique mais quietinho, absorvendo nossas decisões e deixando que as coisas fluam naturalmente. Mas quando a gente nota que o piloto automático tá assumindo o controle, é hora de parar, refletir e assumir o controle de novo.

Ano passado eu escrevi sobre autocuidado num post aqui do blog. Eu não tinha noção disso ainda, mas assumir o controle do que a gente tá fazendo com a nossa vida também é uma forma de se cuidar. Eu venho aprendendo (meio que aos trancos e barrancos) que autocuidado também é sobre fazer coisas por nós que a gente não gosta muito, coisas difíceis e às vezes até doloridas, mas que, no final, podem nos mudar pra melhor. E nesses quatro meses que faltam pro final do ano, achei que podia ser uma coisa legal pra se observar.

Lembrando que a intenção nunca é ficar ansioso ou paranoico sobre o rumo das coisas que a gente não pode mudar, mas fazer o possível pra melhorar aquelas que a gente pode.

Peço desculpas se nada fez muito sentido nesse post, a intenção era tirar da minha cabeça essas ideias todas, mesmo que a linha de raciocínio não tenha sido das melhores. Eu apenas senti que precisava escrever (falar tudo pra mim mesma), mas quem sabe não era isso que você tava precisando ler?

Até a próxima!

“Aprende a entender o seu momento”

via Pinterest

Eu não costumo gostar do período em que eu passo menstruada, principalmente aqueles três primeiros dias. Neles eu me sinto indisposta, fico rabugenta e hipersensível ao que acontece perto de mim e isso não me agrada nem um pouco (e, às vezes, quem convive comigo. Desculpa!). Principalmente a parte da indisposição. Parece que a minha menstruação escolhe descer naquela parte da semana em que eu tenho compromissos que não dá pra desmarcar ou que tenho coisas pendentes que não posso mais adiar e isso me deixa louca.

Geralmente eu tiro da minha lista de prioridades tudo aquilo que não for EXTREMAMENTE importante de se fazer, mas o fato de deixar as coisas de lado e me concentrar em deixar a cólica passar vendo um filminho bobo me deixa muito culpada. Eu sei que é péssimo, mas na maioria das vezes eu não consigo fazer outra coisa a não ser me achar um lixo por não conseguir me concentrar em nada que não seja mais uma comédia romântica na TV ou em tentar terminar o meu dia logo para me deitar na minha cama com uma bolsa de água quente por perto.

No momento em que eu escrevo esse texto, é exatamente nessa parte do mês em que eu estou e foi inevitável pra mim achar que eu poderia estar fazendo mil e uma coisas a mais do que eu estou fazendo agora (no caso, aproveitando cada segundo desse surto criativo inesperado para produzir algo) e me sentindo bem melhor comigo. Mas só até eu conversar sobre isso com a minha mãe e ela falar assim pra mim: “Se você sabe que todo mês isso vai acontecer e você vai se sentir assim, porque você simplesmente não para de se culpar? Aprende a entender o seu momento”.

Pois é. Mais uma vez, ela estava certa. E me deu um belo soco na cara. Figurativamente, claro.

É uma coisa tão óbvia que, quando eu ouvi, não acreditei que tinha esquecido. Eu estava tão ocupada discutindo com as infelicidades do meu ciclo menstrual que nem parei pra pensar no quão inútil isso é e no quão dura eu estava sendo comigo mesma sobre uma coisa que inevitavelmente vai acontecer.

Acho que ser gentil com a gente é algo que, se não ficamos constantemente nos lembrando, vamos deixando que o mundo e a situação e o humor e a vida nos engula, sem que a gente pare pra refletir e pense que, de repente, pode ser que a tal gentileza se aplique aí.

Entender o nosso momento e respeitar o que a gente tá vivendo talvez seja uma das coisas mais difíceis de todas. Pelo menos, no meu caso, é bastante. Ser produtiva é algo importante pra mim, e sempre vejo tantas pessoas por aí fazendo mil coisas durante o dia que acabo achando que o padrão é justamente esse: ser um super-herói 100% do tempo. Quando na verdade é exatamente o oposto: a gente não tá disposto e empolgado o tempo todo, ninguém é assim. E tá tudo bem.

É importante nos lembrar sempre de respeitar o nosso momento atual, assim como também é importante aprender que nem todos os dias a luz do sol vai nos encantar pela manhã e que inseguranças são normais ao ser humano. E que alguns momentos ruins são maiores que outros e tá tranquilo.

E mesmo que eu saiba que daqui a alguns dias eu vou estar me sentindo bem melhor, eu já estou fazendo o máximo que eu posso hoje. Eu tô escrevendo esse texto! Só isso, pra mim, já deveria ser uma vitória. Pode ser que não seja o ideal pras metas que eu tinha pro meu dia, mas é o que eu posso fazer no momento e sou muito grata por conseguir abrir uma brecha nessa indisposição chata e fazer pequenas coisas.

Porque a gente não se propõe esse exercício? Vamos lembrar de ser mais gentis com a gente e entender os nossos momentos. E, claro, ser gratos por aquilo que fizemos no nosso dia, mesmo que pareça insignificante. Eu vou tentar lembrar disso por aqui e você tenta por aí, combinado?

Sobre autoconhecimento e mudanças no blog

Sobre autoconhecimento e mudanças no blog

Pensei seriamente se deveria excluir todo o conteúdo que já tinha produzido no Flamingos para poder iniciar algo do zero agora. Eu sou uma grande fã de começar coisas do zero e já comecei tantos blogs do nada que achei que não seria difícil para mim dessa vez. Mas foi só pensar em tirar do ar tantas coisas legais que já escrevi por aqui ou em abandonar esse espaço que me faz tão bem há tanto tempo que já me bateu um aperto no coração e eu logo desisti da ideia.

Foi aqui, no antigo Flamingos no Café, que eu encontrei o tipo de conteúdo que eu queria fazer e a linguagem que eu queria usar. Mas não posso ignorar o fato de que meus objetivos quando comecei o blog eram bem diferentes dos que eu tenho agora e, mais do que isso, eu não sou mais a mesma pessoa que começou a postar por aqui.

O blog parece e está totalmente diferente do que ele era, por quê eu também estou. O período em que estive na faculdade foi decisivo para que eu (finalmente) desse de cara com o autoconhecimento, uma palavrinha que eu não conhecia até pouco tempo atrás. O Flamingos marcou o momento em que eu estava começando a deixar de lado a pressão para me ajustar a grupos e a minha inconsciente obrigação de achar que para ser “interessante” eu deveria me interessar por coisas que nem eram tão legais para mim.

Naquela época, eu comecei a olhar com mais atenção para mim mesma e identificar onde eu me sentia mais confortável, quais pessoas me traziam esse sentimento, quais peças de roupa, comportamentos, ideologias. Eu descobri que tudo isso fazia parte de um lindo processo de autocuidado que eu precisava ter comigo, afinal nada mais bonito que olhar no espelho e se ver completo, genuíno e honesto, vestido de si mesmo.

E foi assim que eu me vi ao terminar meu curso de Jornalismo. O período que passei na universidade foi repleto de aprendizados sem fim, e fico muito feliz de notar que muitos deles foram a respeito de mim mesma, não como profissional, mas como pessoa mesmo, que hoje não está livre de inseguranças, mas que se sente centenas de vezes mais confortável consigo do que aquela adolescente de quatro anos atrás.

Por isso não via sentindo em continuar no blog com a mesma cara e até com o mesmo nome que ele tinha antes. Agora ele é feito dente-de-leão para representar a pessoa liberta de várias antigas amarras que sou hoje. Alguém que enxerga melhor suas novas possibilidades e que se sente mais positiva sobre elas. Que gosta de enxergar o amor nas coisas que faz e naquilo que o mundo lhe apresenta.

Sou muito grata por todos os momentos que esses quatro anos de universidade me proporcionaram e por todas as pequenas coisas que me tornaram a pessoa que eu sou hoje. Me perdendo, eu meio que me encontrei dentro de mim mesma e estou muito ansiosa para compartilhar todas as maravilhosas aventuras que virão pela frente.

Espero que você esteja comigo nessa.