“Aprende a entender o seu momento”

via Pinterest

Eu não costumo gostar do período em que eu passo menstruada, principalmente aqueles três primeiros dias. Neles eu me sinto indisposta, fico rabugenta e hipersensível ao que acontece perto de mim e isso não me agrada nem um pouco (e, às vezes, quem convive comigo. Desculpa!). Principalmente a parte da indisposição. Parece que a minha menstruação escolhe descer naquela parte da semana em que eu tenho compromissos que não dá pra desmarcar ou que tenho coisas pendentes que não posso mais adiar e isso me deixa louca.

Geralmente eu tiro da minha lista de prioridades tudo aquilo que não for EXTREMAMENTE importante de se fazer, mas o fato de deixar as coisas de lado e me concentrar em deixar a cólica passar vendo um filminho bobo me deixa muito culpada. Eu sei que é péssimo, mas na maioria das vezes eu não consigo fazer outra coisa a não ser me achar um lixo por não conseguir me concentrar em nada que não seja mais uma comédia romântica na TV ou em tentar terminar o meu dia logo para me deitar na minha cama com uma bolsa de água quente por perto.

No momento em que eu escrevo esse texto, é exatamente nessa parte do mês em que eu estou e foi inevitável pra mim achar que eu poderia estar fazendo mil e uma coisas a mais do que eu estou fazendo agora (no caso, aproveitando cada segundo desse surto criativo inesperado para produzir algo) e me sentindo bem melhor comigo. Mas só até eu conversar sobre isso com a minha mãe e ela falar assim pra mim: “Se você sabe que todo mês isso vai acontecer e você vai se sentir assim, porque você simplesmente não para de se culpar? Aprende a entender o seu momento”.

Pois é. Mais uma vez, ela estava certa. E me deu um belo soco na cara. Figurativamente, claro.

É uma coisa tão óbvia que, quando eu ouvi, não acreditei que tinha esquecido. Eu estava tão ocupada discutindo com as infelicidades do meu ciclo menstrual que nem parei pra pensar no quão inútil isso é e no quão dura eu estava sendo comigo mesma sobre uma coisa que inevitavelmente vai acontecer.

Acho que ser gentil com a gente é algo que, se não ficamos constantemente nos lembrando, vamos deixando que o mundo e a situação e o humor e a vida nos engula, sem que a gente pare pra refletir e pense que, de repente, pode ser que a tal gentileza se aplique aí.

Entender o nosso momento e respeitar o que a gente tá vivendo talvez seja uma das coisas mais difíceis de todas. Pelo menos, no meu caso, é bastante. Ser produtiva é algo importante pra mim, e sempre vejo tantas pessoas por aí fazendo mil coisas durante o dia que acabo achando que o padrão é justamente esse: ser um super-herói 100% do tempo. Quando na verdade é exatamente o oposto: a gente não tá disposto e empolgado o tempo todo, ninguém é assim. E tá tudo bem.

É importante nos lembrar sempre de respeitar o nosso momento atual, assim como também é importante aprender que nem todos os dias a luz do sol vai nos encantar pela manhã e que inseguranças são normais ao ser humano. E que alguns momentos ruins são maiores que outros e tá tranquilo.

E mesmo que eu saiba que daqui a alguns dias eu vou estar me sentindo bem melhor, eu já estou fazendo o máximo que eu posso hoje. Eu tô escrevendo esse texto! Só isso, pra mim, já deveria ser uma vitória. Pode ser que não seja o ideal pras metas que eu tinha pro meu dia, mas é o que eu posso fazer no momento e sou muito grata por conseguir abrir uma brecha nessa indisposição chata e fazer pequenas coisas.

Porque a gente não se propõe esse exercício? Vamos lembrar de ser mais gentis com a gente e entender os nossos momentos. E, claro, ser gratos por aquilo que fizemos no nosso dia, mesmo que pareça insignificante. Eu vou tentar lembrar disso por aqui e você tenta por aí, combinado?

Sobre autoconhecimento e mudanças no blog

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Pensei seriamente se deveria excluir todo o conteúdo que já tinha produzido no Flamingos para poder iniciar algo do zero agora. Eu sou uma grande fã de começar coisas do zero e já comecei tantos blogs do nada que achei que não seria difícil para mim dessa vez. Mas foi só pensar em tirar do ar tantas coisas legais que já escrevi por aqui ou em abandonar esse espaço que me faz tão bem há tanto tempo que já me bateu um aperto no coração e eu logo desisti da ideia.

Foi aqui, no antigo Flamingos no Café, que eu encontrei o tipo de conteúdo que eu queria fazer e a linguagem que eu queria usar. Mas não posso ignorar o fato de que meus objetivos quando comecei o blog eram bem diferentes dos que eu tenho agora e, mais do que isso, eu não sou mais a mesma pessoa que começou a postar por aqui.

O blog parece e está totalmente diferente do que ele era, por quê eu também estou. O período em que estive na faculdade foi decisivo para que eu (finalmente) desse de cara com o autoconhecimento, uma palavrinha que eu não conhecia até pouco tempo atrás. O Flamingos marcou o momento em que eu estava começando a deixar de lado a pressão para me ajustar a grupos e a minha inconsciente obrigação de achar que para ser “interessante” eu deveria me interessar por coisas que nem eram tão legais para mim.

Naquela época, eu comecei a olhar com mais atenção para mim mesma e identificar onde eu me sentia mais confortável, quais pessoas me traziam esse sentimento, quais peças de roupa, comportamentos, ideologias. Eu descobri que tudo isso fazia parte de um lindo processo de autocuidado que eu precisava ter comigo, afinal nada mais bonito que olhar no espelho e se ver completo, genuíno e honesto, vestido de si mesmo.

E foi assim que eu me vi ao terminar meu curso de Jornalismo. O período que passei na universidade foi repleto de aprendizados sem fim, e fico muito feliz de notar que muitos deles foram a respeito de mim mesma, não como profissional, mas como pessoa mesmo, que hoje não está livre de inseguranças, mas que se sente centenas de vezes mais confortável consigo do que aquela adolescente de quatro anos atrás.

Por isso não via sentindo em continuar no blog com a mesma cara e até com o mesmo nome que ele tinha antes. Agora ele é feito dente-de-leão para representar a pessoa liberta de várias antigas amarras que sou hoje. Alguém que enxerga melhor suas novas possibilidades e que se sente mais positiva sobre elas. Que gosta de enxergar o amor nas coisas que faz e naquilo que o mundo lhe apresenta.

Sou muito grata por todos os momentos que esses quatro anos de universidade me proporcionaram e por todas as pequenas coisas que me tornaram a pessoa que eu sou hoje. Me perdendo, eu meio que me encontrei dentro de mim mesma e estou muito ansiosa para compartilhar todas as maravilhosas aventuras que virão pela frente.

Espero que você esteja comigo nessa.

Resoluções de Ano Novo

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2017 foi, provavelmente, o melhor pior ano da minha vida. Foi incontável a quantidade de vezes em que me senti perdida, frustrada, decepcionada, sem inspiração, tacando o f*da-se total para coisas que me eram muito valiosas. Mas também foi o ano em que eu mais me superei em meio ao caos, em que realizei coisas que nunca pensei que fossem possíveis nessa altura da minha vida, em que vivi experiências que me fizeram crescer e amadurecer de um jeito que nunca me tinha acontecido.

Não sei dizer se a quantidade de coisas ruins que aconteceram foram superadas pelas boas. Nem sei dizer também em que momento eu parei de olhar para trás e ver só as partes ruins. O que importa foi que eu parei e talvez isso só tenha acontecido porque eu amadureci com tudo o que rolou.

É um alívio tão grande para mim olhar para trás e ver de modo pelo menos um pouquinho diferente toda aquela maçaroca de acontecimentos. Eu estava muito insatisfeita com muitas coisas, acumulava tudo dentro de mais reclamações e tomava atitudes que deixavam qualquer propriedade que eu poderia ter de racionalizar a situação cair por terra. Me faltou muita sensatez e racionalização para lidar com coisas sérias em 2017.

E isso me fez esquecer (por muito tempo) tudo o que eu tinha realizado de bom nesse ano. Graças ao meu trabalho eu consegui bancar, pela primeira vez, uma viagem inteira para fora do estado e ainda vou bancar mais uma em 2018. Nesse ano eu consegui, com meu próprio esforço (e muita ajuda de pessoas mais que queridas no trabalho braçal) redecorar todo o meu quarto e me sentir milhões de vezes mais feliz do que eu estava.

Em 2017 eu fui a menina do “eu não esperava isso de você”, porque me libertei para ser aquilo que eu nunca tive coragem de ser e de fazer. E graças a isso, a todas as atitudes que eu tomei, pessoas que conheci e ideias novas que ouvi e compartilhei, hoje eu sou uma pessoa melhor do que eu jamais fui.

Eu aprendi tanta coisa! Aprendi que só porque as coisas não saem do jeito que eu planejei, não significa que os novos planos sejam piores e que eu preciso me desesperar por isso. Aprendi a ter mais empatia por quem é diferente de mim, a ser menos chata e só enxergar minha opinião e preferências. Aprendi (na real) que as pessoas são diferentes e que nem sempre elas vão fazer aquilo que você espera delas e tudo bem. Aprendi a me desprender (mais) dos padrões e reconhecer beleza onde a sociedade dizia que não tinha. Por causa de todo o caos a minha volta, eu aprendi a encontrar na minha paz meu bem mais valioso e caro.

Aprendi muitas coisas mais, claro. Esse ano foi campeão em me ensinar, mas antes de todos os aprendizados, precisei me esforçar (e aprender) a olhar diferente para a situação. Talvez eu tenha desaprendido isso.

Eu me desapeguei de muitas coisas. Meu quarto está quase totalmente destralhado de coisas inúteis e minha mente se desfez de muitos maus hábitos e sentimentos. Eu me sinto renovada, mas ainda cheia de dúvidas. Mas acho que elas sempre estarão lá, afinal a gente está sempre mudando e tendo que fazer escolhas.

Para 2018, diferente de qualquer ano, eu não tenho grandes metas. Em 2017 eu tive que reconhecer e assumir que talvez não ter metas seja melhor. Acho que com isso eu quero me livrar de toda e qualquer cobrança desnecessária sobre mim, sobretudo a que vem de mim mesma. Eu sou aquela que mais me coloca para baixo, sempre, e preciso com urgência mudar isso. 2018 vai ser um 2014, cheio de mudanças, e farei o possível para me manter o mais sã e tranquila possível em relação a eles, que me assustam tanto. Mas dessa vez procurando valorizar mais as coisas maravilhosas que me acontecerem pelo caminho.